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Ser ou não ser da UE: eis a questão

Ser ou não ser da UE: eis a questão

O Reino Unido vai decidir, em referendo no próximo dia 23, se quer continuar na União Europeia (UE). Até lá, o "Brexit" continuará a fornecer lenha para pseudoextremismos. Ou não fossem os britânicos adeptos convictos da argumentação...

Há dias, o primeiro-ministro, David Cameron, advertiu que o Reino Unido mergulhará numa recessão caso o voto a favor da saída vença. "Será a opção da autodestruição. Como o Banco de Inglaterra disse, o Fundo Monetário Internacional sublinhou e o Departamento do Tesouro confirmou, o impacto da saída da Europa levará o país à recessão. Seria uma recessão de fabrico próprio."
Segundo um relatório do Tesouro britânico, no cenário mais prudente - o Reino Unido sai da UE, mas negoceia um novo tratado comercial com o bloco europeu -, o Produto Interno Bruto (PIB) poderá contrair em 3,6 % e implicar a perda de 520 mil empregos. A inflação disparará e os preços das casas poderão cair 10%, com um aumento da dívida de cerca de 31 mil milhões de euros.
Num cenário de grande impacto - em que o país sai da UE e do mercado único e assume unicamente as normas da Organização Mundial do Comércio -, o PIB poderá recuar até 6%, registando-se um efeito ainda maior na inflação e nos preços dos imóveis (uma quebra de 18%). Perante o mesmo contexto, cerca de 820 mil postos de trabalhos ficariam comprometidos e o aumento da dívida pública rondaria cerca de 50.000 milhões de euros.
Sem demora, a campanha a favor do "Brexit" afirmou que o relatório "não é uma análise honesta". "O Tesouro já errou repetidamente nas previsões. Este documento é profundamente preconceituoso e ninguém deve acreditar", disse o ex-ministro do Trabalho e Pensões Iain Duncan Smith, que apontou que o país "entrega cerca de 453 milhões de euros por semana à UE" e que poderá, caso a saída britânica se concretize, "recuperar o controlo sobre o dinheiro e utilizar o montante para ajudar as pessoas no Reino Unido".
Sondagens recentes apontam para uma vantagem dos apoiantes da permanência na UE, que lideram as intenções de voto por 53% contra 47%, segundo o site What UK Thinks.
Entretanto, a agência de "rating" Fitch alerta que a saída do Reino Unido teria consequências negativas para a economia comunitária e aumentaria o risco político para o bloco. No que respeita às exportações, os países mais afetados serão Irlanda, Malta, Bélgica, Holanda, Chipre e Luxemburgo, cujas exportações de bens e serviços para o Reino Unido representam cerca de 8% do PIB.
A Fitch considera, também, que a rutura de Londres com Bruxelas afetaria o setor bancário de Irlanda, Malta, Luxemburgo, Espanha, França e Alemanha, devido aos laços com as entidades financeiras britânicas.
Por outro lado, a contribuição líquida britânica para o orçamento da UE passaria dos 7.100 milhões de euros para praticamente zero, obrigando os países contribuintes a aumentar as dotações e a reduzir o dinheiro que recebem.
Politicamente, o "Brexit" poderia criar um precedente para que outros países abandonem a UE e fomentar sentimentos anticomunitários.

Imigração constitui campo de batalha

David Cameron conseguiu, em fevereiro, um compromisso com os outros 27 Estados-Membros da União Europeia (UE) em que o Reino Unido reforçou o seu estatuto especial: logrou aprovar medidas protecionistas para a City de Londres, ainda que não use o euro como moeda, e impôs novas restrições ao acesso, por parte dos imigrantes europeus, ao seu sistema de apoios sociais. E foi o segundo ponto o mais batalhado. Ainda que o estatuto especial lhe permita acionar o "travão de emergência" para os imigrantes durante um período que pode chegar a sete anos, a imigração é um dos dossiers mais sensíveis na discussão do "Brexit", com os partidários da saída a advertirem para a ameaça de uma nova vaga de imigração caso a Turquia se torne membro da UE. Inclusive, a secretária de Estado das Forças Armadas, Penny Mordaunt, vai mais longe. "Um voto a favor da permanência é um voto a permitir aos cidadãos da Albânia, Macedónia, Montenegro, Sérvia e Turquia se mudem para cá livremente assim que adiram à UE. Muitos desses países têm altas taxas de criminalidade, problemas com grupos e células terroristas e altos níveis de pobreza". A campanha pela permanência reagiu acusando os partidários do "Brexit" de "alimentar a fogueira do preconceito" com afirmações discriminatórias.

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