França

Serviços de informação dizem que era impossível identificar Merah mais cedo

Serviços de informação dizem que era impossível identificar Merah mais cedo

O diretor da contraespionagem francesa diz que teria sido impossível identificar mais rapidamente Mohamed Merah, o autor do assassínio de sete pessoas em Toulouse.

"Nós questionamo-nos forçosamente: poderíamos ter agido de outra forma? Deixámos escapar qualquer coisa? Fomos suficientemente rápidos? Mas era impossível saber no domingo à noite 'é o Merah, temos de ir buscá-lo'", disse Bernard Squarcini, chefe da Direção Central das Informações Internas, a agência de contraespionagem de França.

Mohamed Merah, um francês de origem argelina de 23 anos, "não tinha aliás planeado atacar a escola judaica na segunda-feira de manhã", disse Bernard Squarcini, referindo-se ao ataque em que Merah abateu a tiro três crianças e um professor, dias depois de dois ataques em que matou três militares.

"Segundo as declarações que fez durante o cerco, ele pretendia matar mais um militar, mas chegou demasiado tarde. E, como conhecia bem o bairro, improvisou e atacou a escola", disse ao jornal "Le Monde".

Merah foi vigiado em 2010 e 2011

Os serviços de informações franceses têm sido alvo de críticas de parte da classe política relativamente à gestão do caso Merah, nomeadamente de falharem na adequada vigilância do jovem depois do regresso do Afeganistão e do Paquistão.

Os serviços secretos vigiaram Merah depois daquelas viagens, em 2010 e 2011, mas consideraram não haver indícios que justificassem uma vigilância reforçada como a que é feita a outros cidadãos de ideologia radical.

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Em novembro de 2010, Mohamed Merah entrou no Afeganistão através do Tajiquistão. Segundo Squarcini, foi detido em Kandahar, a cidade bastião dos talibãs, pela polícia afegã, entregue às forças norte-americanas e enviado para Cabul para ser repatriado para França, onde chegou a 5 de dezembro.

"Estamos a investigar a importância disso. Mas não há nada. Não houve ativismo ideológico, não frequentou mesquitas", disse ainda o diretor da contraespionagem.

"Muito cooperante, educado e cortês"

Antes do Afeganistão, Merah esteve na Turquia, Síria, Líbano, Jordânia, Israel e Egito.

Quando os serviços de informações quiseram interrogá-lo, um ano depois, em novembro de 2011, Merah telefonou para a agência e disse não poder apresentar-se por estar no Paquistão. Questionado no regresso a França, "mostrou-se muito cooperante, educado e cortês", disse Squarcini. "Explicou, com fotos, todo o percurso turístico que fez no Médio Oriente, no Afeganistão e no Paquistão".

Questionado sobre se estas viagens não preocuparam os serviços, o diretor afirmou: "Ele só esteve dois meses no Paquistão. Disse que foi à procura de uma mulher (...). Mas, na altura, nem os serviços paquistaneses, nem os norte-americanos, nem a DGSE (serviços de informações externas francesas) nos alertaram".

Ao regressar a França, a contraespionagem incluiu o nome "no ficheiro das pessoas a procurar em caso de controlo ou de deslocações".

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