Inglaterra

Sexo? Só se for heterossexual e casado, disse a Igreja Anglicana... esta semana

Sexo? Só se for heterossexual e casado, disse a Igreja Anglicana... esta semana

A Igreja Anglicana (de Inglaterra) estabeleceu, em comunicado, que a atividade sexual deve existir apenas entre casais heterossexuais casados, devendo os restantes abster-se da prática. O esclarecimento surge na sequência de uma alteração à lei sobre "parcerias civis".

Os bispos ingleses lançaram esta semana um novo guia em que reforçam uma visão conservadora da sexualidade e definem que os padres se devem negar a abençoar casais que se encontrem em "parcerias civis", conceito equivalente às uniões de facto, que abarca tanto relações entre pessoas do mesmo sexo como de sexos opostos.

"Para os cristãos, o casamento - que é a união eterna entre um homem e uma mulher, celebrada com a realização de votos - continua a ser o contexto apropriado para a atividade sexual", pode ler-se na missiva, que considera que "os relacionamentos sexuais fora do casamento heterossexual estão aquém do propósito de Deus para os seres humanos". A Igreja, dizem os bispos, "procura manter esse padrão" na nova abordagem às "parcerias civis" e "afirmar o valor de amizades sexualmente abstinentes".

A reafirmação da doutrina tradicional, plasmada no guia da "House of Bishops" (Casa dos Bispos, em português), surge face a uma alteração à lei sobre "parcerias civis" (o "Civil Partnership Act"), introduzido pelo governo britânico em 2005 para permitir aos casais do mesmo sexo adquirir um estatuto legal e direitos em relação à propriedade, herança e direito tributário. O casamento entre pessoas do mesmo sexo viria a ser legalizado em 2013, mas continua sem ser aceite pela Igreja, que permite apenas as tais "parcerias civis", desde que, sublinham agora, haja abstinência sexual. Em 2018, o Supremo Tribunal decidiu que os casais heterossexuais também deveriam ter direito a uma "parceria civil" e a legislação foi alterada.

Mas a lei em vigor, pode ler-se no comunicado, "deixa totalmente aberta a natureza do compromisso que um casal escolhe assumir ao formar uma parceria civil". "Por causa da ambiguidade quanto ao lugar da atividade sexual no seio de parcerias civis para ambos os casos [casais homossexuais e heterossexuais], e tendo em conta os ensinamentos da Igreja, segundo os quais só o casamento entre homens e mulheres é o contexto próprio para envolvimento sexual, não acreditamos que seja possível que a Igreja aceite incondicionalmente parcerias civis", pode ler-se na missiva. E, por isso, os padres "não devem abençoar aqueles que se registem numa parceria civil".

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