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Snowden pode ficar na Rússia se não prejudicar interesses dos EUA

Snowden pode ficar na Rússia se não prejudicar interesses dos EUA

O ex-consultor da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos, Edward Snowden, pode ficar na Rússia se quiser, mas deve deixar de prejudicar interesses dos Estados Unidos, declarou, esta segunda-feira, o presidente russo.

"Se quiser ir para algum lugar e alguém o quiser receber, tenha a bondade. Se ele quiser ficar aqui, há uma condição: ele deve pôr fim à sua atividade que visa prejudicar os nossos parceiros americanos, por muito estranho que isso possa parecer vindo da minha boca", afirmou Vladimir Putin, numa conferência no final da Cimeira dos Países Exportadores de Gás.

Putin frisou que a Rússia não tenciona entregar Snowden aos Estados Unidos.

"A Rússia nunca extraditou ninguém e não tenciona fazê-lo. E nunca ninguém nos entregou ninguém", acrescentou.

"No melhor dos casos, trocámos os nossos agentes do Serviço de Reconhecimento Externo por aqueles que foram detidos e condenados pelos tribunais da Rússia", frisou.

O dirigente russo declarou também que nada sabe sobre a possibilidade de Snowden poder viajar com alguma das delegações que participou na cimeira.

Alguns órgãos de informação e analistas tinham admitido a possibilidade de Snowden poder sair de Moscovo no avião do presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, que participa na cimeira.

Edward Snowden, um informático de 30 anos, que trabalhava como consultor da Agência de Segurança Nacional norte-americana e é acusado de espionagem por ter divulgado a existência de programas de vigilância dos Estados Unidos, está há uma semana no aeroporto de Sheremetyevo, em Moscovo.

O seu passaporte foi anulado por Washington, que reclama a sua extradição.

A Rússia, que não tem acordo de extradição com os Estados Unidos, afirmou nada ter nada a apontar a Snowden, argumentando que na realidade o informático nunca chegou a passar a fronteira russa, ou seja, a zona de controlo de passaportes do aeroporto.

Edward Snowden, que não é visto desde 23 de junho, não embarcou no voo para Cuba, onde tinha reservado um lugar, e fontes russas afirmam que ele não pode viajar sem passaporte válido.

O Equador, país ao qual pediu asilo político, sublinhou por seu lado não poder analisar o pedido, adiantando que a solução "está nas mãos das autoridades russas".