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Sobe para 105 número de militares arménios mortos na fronteira com o Azerbaijão

Sobe para 105 número de militares arménios mortos na fronteira com o Azerbaijão

O primeiro-ministro da Arménia, Nikol Pashinian, avançou hoje que o número de militares arménios mortos em confrontos na fronteira com o Azerbaijão aumentou para 105, mais do dobro do número de mortes anunciadas na terça-feira.

"De acordo com dados recolhidos recentemente, 105 soldados das Forças Armadas arménias morreram", disse o primeiro-ministro durante um discurso no parlamento arménio.

Na terça-feira, Nikol Pashinian tinha relatado que pelo menos 49 militares arménios tinham morrido nos confrontos.

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Já do lado de Baku, o Ministério da Defesa do Azerbaijão comunicou 50 mortes.

De acordo com o Ministério da Defesa da Arménia, a situação ao longo da fronteira permanece "tensa" e o inimigo retomou ataques de artilharia intensos, "alvejando também cidades arménias" e usando de forma massiva 'drones' (aeronaves não tripuladas).

"As forças arménias estão a tomar as medidas correspondentes, numa resposta adequada ao inimigo", referiu o Ministério da Defesa arménio sobre os confrontos, que começaram entre a noite de segunda-feira e terça-feira.

O presidente do parlamento arménio, Alen Simonyan, indicou horas antes que os ataques do Azerbaijão deixaram vítimas entre a população civil, sem especificar um número.

Ao mesmo tempo, os meios de comunicação locais noticiaram a retirada de mais de 2.500 pessoas de áreas próximas à fronteira e as aulas foram suspensas em duas regiões, onde bombardeamentos foram registados entre terça-feira e hoje.

A Arménia e o Azerbaijão acusaram-se hoje mutuamente de novos bombardeamentos.

Os dois países estão em conflito há várias décadas por causa da região de Nagorno-Karabakh, que faz parte do Azerbaijão, mas que está sob controlo de forças de etnia arménia apoiadas por Erevan desde que uma guerra separatista terminou, em 1994.

O Azerbaijão recuperou grandes áreas de Nagorno-Karabakh e territórios adjacentes mantidos pelas forças arménias numa outra guerra, que decorreu durante seis semanas, em 2020, provocando então a morte de mais de 6.600 pessoas. Este novo episódio do confronto histórico entre os dois países acabaria após um acordo de paz mediado pela Rússia.

Desde então, Moscovo enviou cerca de 2.000 soldados para a região para manter a paz e o cumprimento do acordo.

Face ao regresso das hostilidades, a Rússia tentou negociar, na terça-feira, um acordo de cessar-fogo entre as duas ex-repúblicas soviéticas do Cáucaso do Sul, já que mantém fortes laços nas áreas da economia e da segurança com a Arménia, que abriga uma base militar russa, e uma cooperação estreita com o Azerbaijão, rico em petróleo.

"Apesar dos apelos da comunidade internacional e do acordo de cessar-fogo alcançado, as forças armadas arménias continuam os ataques e provocações na fronteira, usando artilharia e outro armamento pesado", apontou o Ministério da Defesa do Azerbaijão, num comunicado hoje divulgado.

A mesma fonte adiantou que dois civis do Azerbaijão ficaram feridos no bombardeamento arménio dos distritos de Kalbajar e Lachin.

O Governo arménio anunciou, entretanto, que vai pedir oficialmente ajuda à Rússia no âmbito de um tratado de amizade entre os dois países e que pretende apresentar o mesmo pedido às Nações Unidas e à Organização do Tratado de Segurança Coletiva (CSTO), uma aliança de segurança criada em 1992 pelas ex-repúblicas soviéticas, que é dominada por Moscovo.

O Presidente russo, Vladimir Putin, e líderes de outros países-membros da CSTO discutiram a situação, num telefonema realizado na terça-feira, pedindo o fim rápido das hostilidades e decidindo enviar uma missão de altos funcionários da aliança para a região.

Putin tem marcado para sexta-feira uma reunião com o Presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, em Samarcanda, no Uzbequistão, onde ambos participarão da cimeira da Organização de Cooperação de Xangai, um grupo dedicado à segurança da região no qual Rússia e China têm uma forte influência.

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