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Sobe para 19 o número de mortos em ataque dos EUA a Médicos Sem Fronteiras

Sobe para 19 o número de mortos em ataque dos EUA a Médicos Sem Fronteiras

Os Médicos Sem Fronteiras atualizaram para 19 o número de mortos no bombardeamento do hospital que gerem em Kunduz, norte do Afeganistão, qualificando o ataque de "violação grave da lei humanitária internacional" e pedindo uma investigação independente.

Num comunicado colocado na página na Internet da organização humanitária (www.doctorswithoutborders.org), os Médicos Sem Fronteiras (MSF) indicam que "12 membros do pessoal e pelo menos sete doentes, incluindo três crianças, morreram" e que "37 pessoas ficaram feridas, incluindo 19 membros do pessoal". O anterior balanço era de 16 mortos, incluindo três crianças, e 37 feridos.

"Este ataque constitui uma violação grave da lei humanitária internacional", afirma o texto, acrescentando que "todas as indicações apontam para que o bombardeamento tenha sido efetuado por forças da coligação internacional" no Afeganistão.

"A MSF exige um relato completo e transparente da coligação relativamente à sua atividade aérea sobre Kunduz no sábado [hoje] de manhã. A MSF apela também para uma investigação independente do ataque para garantir a máxima transparência e responsabilização", lê-se.

"Não podemos aceitar que esta horrível perda de vidas seja simplesmente descartada como dano colateral", afirmou Meinie Nicolai, presidente da organização, citada no texto.

Segundo a MSF, entre as 2.08 e as 3.15 horas locais (22.38 e 23.45 horas de sexta-feira em Portugal), o hospital foi "atingido por uma série de ataques aéreos com intervalos de aproximadamente 15 minutos".

"O principal edifício do hospital, onde estão instalados a unidade de cuidados intensivos, o serviço de urgência e a ala de fisioterapia, foi repetidamente atingido com muita precisão em cada ataque aéreo, enquanto os edifícios em volta ficaram praticamente intocados", afirma.

"Quando conseguimos sair, o edifício principal estava envolto em chamas. Os que podiam, foram rapidamente para os dois 'bunkers' do edifício, mas os doentes que não conseguiram fugir morreram queimados nas suas camas", relatou Heman Nagarathnam, chefe de operações da MSF no norte do Afeganistão.

A organização sublinha, por outro lado, que além da perda de vidas, este ataque "vai privar a população de Kunduz de cuidados médicos de urgência, numa altura em que esses serviços são mais necessários".

Os talibãs tomaram na segunda-feira a cidade estratégica de Kunduz e, na quinta, as tropas afegãs anunciaram ter recuperado o controlo da cidade. No entanto, os confrontos continuam, com os dois lados a controlarem diferentes bairros de Kunduz.

No comunicado, a MSF diz que desde segunda-feira tratou 394 pessoas que entraram no hospital com ferimentos sofridos durante os confrontos.

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