Violência

Sobe para seis o número de mortos em confrontos na Bolívia

Sobe para seis o número de mortos em confrontos na Bolívia

O número de mortos resultante de confrontos na Bolívia entre manifestantes e forças de segurança que queriam reabrir uma refinaria bloqueada por apoiantes do ex-presidente Evo Morales subiu para seis, anunciou esta quarta-feira o Ministério Público daquele país.

Os confrontos aconteceram na terça-feira, a 50 quilómetros de La Paz, quando as autoridades bolivianas tentaram reabrir o acesso à refinaria de Senkata, bloqueada desde quinta-feira por apoiantes de Evo Morales.

Dezenas de apoiantes do ex-presidente, que renunciou em 10 de novembro antes de se exilar no México, começaram a bloquear o acesso à refinaria na passada quinta-feira, em protesto contra a presidente interina, Jeanine Áñez.

O aumento do número de mortos registado nos últimos dias é consequência de violentos confrontos entre manifestantes pró-Evo Morales e agentes de segurança do exército e da polícia.

Aquele país sul-americano enfrenta uma grave crise política desde as eleições presidenciais, em 20 de outubro.

Com a renúncia de Evo Morales, os seus apoiantes têm-se manifestado diariamente nas ruas de La Paz e em algumas províncias para exigir a saída de Jeanine Áñez, acusada de dar "luz verde" a repressão policial violenta que, segundo a Provedoria do Povo, provocou pelo menos 30 mortos e 775 feridos desde 20 de outubro.

A Presidente interina prometeu eleições presidenciais e legislativas num futuro próximo, ao mesmo tempo que um diálogo iniciado pela Igreja Católica tem reunido o Governo, a oposição e a sociedade civil para tentar tirar a Bolívia da crise.

A organização não-governamental Human Rights Watch (HRW) acusou o Governo interino da Bolívia de tomar "medidas abusivas", como o decreto que concede imunidade aos militares, e denunciou o assédio a jornalistas independentes e políticos da oposição.

"Desde que Jeanine Áñez assumiu a presidência interina, o Governo adotou e anunciou medidas alarmantes que vão contra os padrões fundamentais de direitos humanos", referiu organização em comunicado.