Mundial 2022

Sonho acaba em pesadelo. Espanhol ia a pé até ao Catar, mas foi detido no Irão

Sonho acaba em pesadelo. Espanhol ia a pé até ao Catar, mas foi detido no Irão

Santiago Sánchez saiu de Madrid com o sonho de ver a seleção espanhola jogar no Mundial de futebol de 2022, mas a viagem da sua vida acabou em pesadelo. De acordo com fontes iranianas, o caminhante encontra-se agora detido após ter visitado o túmulo de Mahsa Amini, jovem morta pela polícia da moralidade de Teerão.

Tudo começou no dia 8 de janeiro, quando o espanhol Santiago Sánchez saiu de Alcalá de Henares, em Madrid, com o objetivo de fazer uma caminhada solitária até ao Catar, onde viria a assistir à estreia da seleção nacional no Mundial de 2022, a 23 de novembro, no estádio Al Thumama Stadium.

Andar pelo menos 15 quilómetros por dia era o mínimo estabelecido por Sánchez, que, muitas da vezes, duplicava a distância do percurso diário, na tentativa de chegar o mais rápido possível ao Catar e conseguir assistir ao primeiro jogo da equipa liderada por Luis Enrique.

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Depois de ter pisado mais de uma dezena de países, e ter andado cerca de 4500 quilómetros, - aventura que foi registando nas redes sociais, onde detalhava cada conquista que ia alcançando - algo de inesperado aconteceu e o homem, de 41 anos, desapareceu quando estava perto de chegar à meta: Doha.

De passagem pelo Iraque, no início deste mês, o espanhol, que já tinha experiência em grandes caminhadas e é ex-paraquedista, partilhou a última fotografia da aventura que começara há cerca de 10 meses, deixando de dar notícias no dia 2 de outubro. "Viaje, mas não fuja de nada e menos de si mesmo. Perca-se para se encontrar", escreveu na mais recente publicação no Instagram.

À família e aos amigos, no último telefonema para Espanha, Sánchez disse que se encontrava em Penjwen, no Iraque, a apenas cinco quilómetros da fronteira com o Irão. Informou que o próximo destino seria Teerão, mas alertou que até chegar à capital teria de atravessar caminhos sinuosos, o que poderia fazer com que fosse mais difícil comunicar até casa.

Mais de uma semana depois, continuava sem dar sinais de vida e a 17 de outubro os país decidiram "dá-lo como desaparecido", contou Celia Cogedor, mãe de Sánchez a um desportivo espanhol.

Relação com Mahsa Amini

Após alguns dias de silêncio, os jornais espanhóis começaram a questionar o paradeiro do fervoroso adepto da seleção e a formular hipóteses sobre o que lhe poderia ter acontecido.

Segundo algumas organizações não-governamentais e meios de comunicação iranianos, Sánchez, tal como o tradutor que o acompanhava - que o terá alertado sobre os perigos de visitar o Irão devido ao contexto de violência em que o país está mergulhado desde o início dos protestos - foram identificados numa prisão em Teerão, após serem presos na cidade de Saqqez, que faz fronteira com o Curdistão iraniano.

Embora ainda não sejam conhecidos os contornos em que terá ocorrido a detenção do aventureiro, as organizações que deram conta da prisão de Sánchez revelaram que terá visitado o túmulo de Mahsa Amini - jovem iraniana que morreu às mãos da polícia da moralidade por, alegadamente, não fazer o uso correto do véu islâmico (hijab).

No entanto, as informações ainda não foram confirmadas pelas embaixadas de Espanha e do Irão, que estão a trabalhar numa investigação que permita perceber o que aconteceu a Santiago Sánchez.

Poucos dias antes de a família lhe perder o rasto, o caminhante foi entrevistado por um jornalista da Associated Press, em Sulaymaniyya, no Iraque, mostrando-se confiante de que é possível "ir muito longe mesmo com pouquíssimos meios". O próprio era a prova viva disso mesmo, pelo menos até agora.

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