Dinamarca

Supremacistas brancos dinamarqueses mataram um negro mas polícia descarta racismo

Supremacistas brancos dinamarqueses mataram um negro mas polícia descarta racismo

Phillip Mbuji Johansen foi torturado e morto na Dinamarca na madrugada da passada segunda-feira. A polícia local diz que não foi um crime de ódio, mas que tudo aconteceu devido a um conflito entre a vítima e os assassinos, apesar de os dois suspeitos terem ligações a grupos de extrema-direita.

O corpo de Phillip foi encontrado na floresta, na manhã de terça-feira. De acordo com o relatório inicial, a vítima foi espancada com um pau de madeira e esfaqueada várias vezes. Alguns meios de comunicação dinamarqueses referem que um joelho foi pressionado contra o seu pescoço, à semelhança do que aconteceu com George Floyd nos EUA.

Os dois principais suspeitos, de 23 e 25 anos, admitiram, segundo a polícia, que espancaram Phillip, mas que não o mataram. Ambos são conhecidos por terem afiliações a grupos de extrema-direita. A sua identidade não é conhecida, mas é sabido que um deles tem uma tatuagem com uma suástica e a mensagem "poder branco" na perna. O outro suspeito já tinha mostrado apoio ao movimento "Stram Kurs", que recentemente publicou a mensagem "White Lives Matter" na página de Facebook.

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O Procurador Benthe Pedersen Lund referiu, em entrevista a um jornal local, que este assassinato não esteve relacionado com a cor de pele, mas sim devido a uma "relação pessoal que correu mal". A polícia dinamarquesa não associa este caso ao de George Floyd, ou seja, não acredita que tenha sido motivado por fatores raciais.

Várias entidades na Dinamarca são da opinião que Phillip foi morto por questões raciais. Awa Konaté, uma ativista que ensina cultura africana no país nórdico, explica que "foram precisos três dias para que o inspetor da polícia e o procurador do estado refutassem que este caso foi motivado por fatores raciais, quando tudo aponta para isso. Isto mostra um problema no sistema", referiu, ao "New York Times".

Daniel Villaindulu, amigo de família da vítima, explicou à mesma fonte que Phillip foi "torturado durante horas" e que ambos são dos poucos negros que existem em Bornholm. "Dizem que havia um sentimento de inveja acerca de algo. Mas quando juntamos todas as peças e vemos que estas pessoas são de extrema-direita, e um deles tem uma cruz suástica tatuada, conseguimos imaginar porque é que isto terminou assim", disse.

Tobias Krahmer, também amigo de família, tem uma opinião diferente. "Não se pode comparar o que aconteceu nos EUA com este crime horrível em Bornholm. É tudo diferente. Não puxem pelo argumento do racismo e comecem um debate por isto ser um crime por ódio", referiu, em entrevista ao canal televisivo dinamarquês "TV2". Alguns ativistas referem que Krahmer, cuacasian, arrancou uma tarja que dizia "Black Lives Matter" no tribunal de Bornholm na passada sexta-feira.

Phillip Mbunji Johansen era um estudante de engenharia de 28 anos, com ascendência tanzaniana e dinamarquesa, que foi visitar a sua mãe a Bornhold. A mesma explicou, em entrevista ao jornal local "Ekstra Bladet" que o seu filho foi a uma festa na passada segunda-feira e foi convidado, posteriormente, para ir beber uma cerveja à floresta.

Desde 2004 que a documents/id/9032" target="_blank">Dinamarca agrava a condenação dos crimes que sejam motivados pelas origens étnicas, crenças religiosas, orientação sexual e outras semelhantes. O país nórdico sofreu um aumento significativo na violência racial. Segundo um estudo da União Europeia, entre 2007 e 2016 este tipo de crimes mais que quadruplicou.

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