Epidemia

Surto de pneumonia alastra e faz mais dois mortos na China

Surto de pneumonia alastra e faz mais dois mortos na China

O número de vítimas mortais de um novo tipo de pneumonia na China subiu para seis, com a morte de mais dois pacientes, enquanto o número total de infetados ascendeu a 291.

A Comissão Nacional de Saúde da China revelou que o país registou esta terça-feira 77 novos infetados e que mais dois pacientes morreram, numa altura em que vários países estão a elevar o nível de alerta.

A ansiedade em torno da doença aumentou depois de um especialista do Governo chinês, Zhong Nanshan, ter assumido que o novo tipo de coronavírus, uma espécie de vírus que causa infeções respiratórias em seres humanos e animais, é transmissível entre seres humanos. Até à data, as autoridades diziam que não havia evidências neste sentido.

O vírus foi inicialmente detetado, no mês passado, em Wuhan, cidade do centro da China que é também um importante centro de transporte doméstico e internacional.

O surto surge numa altura em que milhões de chineses viajam, por ocasião do Ano Novo Lunar, a principal festa das famílias chinesas, equivalente ao natal nos países ocidentais. Segundo o ministério chinês dos Transportes, a China deve registar um total de três mil milhões de viagens internas durante os próximos 40 dias.

Casos alastram

Taiwan confirmou, esta terça-feira, o seu primeiro doente com a nova pneumonia. A Agência Central de Notícias de Taiwan disse que uma mulher da ilha, que esteve recentemente na cidade chinesa de Wuhan, está a ser tratada e foi colocada sob quarentena, depois de se ter dirigido voluntariamente aos serviços de saúde locais. Taiwan está em alerta máximo para a doença.

Esta semana foram ainda diagnosticados novos casos em Pequim, Xangai e Shenzhen, que faz fronteira com Hong Kong. Todos estes pacientes visitaram Wuhan recentemente.

Fora da China, quatro casos do novo coronavírus foram confirmados entre viajantes chineses na Coreia do Sul, Japão e Tailândia, todos também oriundos de Wuhan. Há um caso suspeito na Austrália.

Os casos alimentaram receios sobre uma potencial epidemia, semelhante à da pneumonia atípica, ou Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), que entre 2002 e 2003 matou 650 pessoas na China continental e em Hong Kong.

Muitos países asiáticos e a Austrália estão a reforçar o controlo sobre a disseminação do novo vírus. Em Banguecoque, Singapura ou Sydney, as autoridades estão a efetuar verificações sistemáticas de passageiros de voos oriundos de áreas consideradas de risco. Em Macau, as autoridades anunciaram que vão verificar individualmente os passageiros provenientes de Wuhan, "por via aérea, marítima ou terrestre". No Vietname, o ministério da Saúde declarou um "alto risco de infeção" e ordenou controlo reforçado na fronteira do país com a China, um intenso ponto de passagem entre os dois países.

As vastas fronteiras terrestres da China estão também sob escrutínio, com as saídas de Wuhan submetidas a apertado controlo, relatou a imprensa local.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) vai reunir-se na quarta-feira para decidir se deve declarar uma "emergência de saúde pública de interesse internacional".

A OMS estimou que "a fonte primária mais provável" é animal, mas que o vírus assume "transmissão limitada entre seres humanos através de contacto próximo".

Quinze funcionários hospitalares também testaram positivo para o vírus, anunciou a Comissão Municipal de Saúde de Wuhan. A comissão tinha dito, na semana passada, que nenhum dos funcionários que teve contacto próximo com os pacientes tinha sido infetado.

O presidente chinês, Xi Jinping, instruiu os departamentos do Governo na segunda-feira a divulgar prontamente informações sobre o vírus e aprofundar a cooperação internacional.

Durante a epidemia da pneumonia atípica, o Governo chinês inicialmente tentou ocultar a gravidade do surto, mas o encobrimento foi exposto por um médico de alto escalão.

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