Noruega

Autoridades admitem ataque com arco e flecha como terrorista e identificam autor

Autoridades admitem ataque com arco e flecha como terrorista e identificam autor

O homem suspeito de matar cinco pessoas com um arco e flechas na Noruega é um dinamarquês de 37 anos que se converteu ao islão e se radicalizou.

O homem suspeito de matar cinco pessoas e ferir duas com um arco e flechas, na cidade de Kongsberg, na Noruega, é um cidadão dinamarquês convertido ao Islão, identificado como Espen Andersen Brathen.

Filho de mãe dinamarquesa e pai norueguês, Brathen tem cadastro por furto, posse de droga e ameaças de morte. O suspeito, de 37 anos, "converteu-se ao Islão", revelaram as autoridades norueguesas, esta quinta-feira de manhã. "Anteriormente, já havia preocupações de que o homem tinha sido radicalizado", disse o chefe da Polícia Nacional da Noruega, Ole B. Saeverud em conferência de imprensa, em Oslo.

O advogado do suspeito, Fredrik Neumann, disse que Brathen foi interrogado durante três horas e cooperou com as autoridades. Uma versão corroborada pela procuradora Ann Irén Svane Mathiassen. A responsável pela instrução do caso disse à agência de notícias NTB que o detido admitiu os factos de que foi acusado. "É conhecido da polícia, mas prefiro não dar mais detalhes sobre os assuntos em que esteve metido", disse.

Os serviços de segurança da Noruega (PST) consideram que o ataque de Brathen configura aparenta ser uma ação terrorista, embora não tenha sido determinada a motivação do atacante.

O ataque fez cinco mortos, quatro mulheres e um homem, com idades entre os 50 e os 70 anos, acrescentou Saeverud. Duas pessoas ficaram feridas, entre estas um polícia de folga atingido quando estava num supermercado.

De acordo com a polícia, o homem que terá agido sozinho, movimentou-se por "uma área vasta" em Kongsberg e foi detido cerca das 18.47 horas, cerca de meia hora após o início do ataque, cujo alerta soou às 18.13 horas locais (17.12 em Portugal continental). "Há muitos locais do crime", disse o chefe da polícia do condado de Drammen, Oyvind Aas

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Segundo relata a BBC, o homem foi confrontado pela polícia seis minutos após o alerta, cerca das 17.18. Reagiu disparando flechas na direção das autoridades, acabando por ser detido meia hora depois, cerca das 18.47 horas. Não é claro se os polícias estavam armados no primeiro momento em que se cruzaram com o suspeito.

Polícia volta a andar armada após o ataque

Após o ataque, a polícia norueguesa recebeu instruções para andar armada, uma exceção à lei vigiente naquele país nórdico. "Devido aos incidentes de Kongsberg, em que várias pessoas foram mortas e feridas, a polícia da Noruega anda temporariamente armada", anunciou a Polícia Nacional, em comunicado.

"É uma medida adicional de emergência", acrescentou. "De momento, não temos indicações concretas sobre o nível de alerta no país", adiantou o comando nacional da polícia norueguesa.

O ataque ocorre pouco mais de 10 anos após o atentado terrorista da história da Noruega. Em julho de 2011, o extremista de direita Anders Brevik matou 77 pessoas, muitos adolescentes, num ataque à bomba e a tiros num encontro da Liga de Jovens Trabalhadores. Foi condenado à pena máxima possível, de 21 anos.

Um ataque "cruel" e "macabro"

O Governo, que está de saída, reagiu entretanto. "Foi um ataque horrível perpetrado contra várias pessoas. É uma situação dramática que atinge a sociedade de Kongsberg de forma muito dura, um acontecimento que nos abala a todos", disse a primeira-ministra norueguesa, Erna Solberg.

Em conferência de imprensa a partir de Oslo, a ainda líder do Governo norueguês qualificou o ataque como "macabro" e prometeu disponibilizar "todos os meios necessários" para investigar o crime.

O ataque aconteceu na véspera da tomada de posse de um novo governo, uma coligação de centro-esquerda, que será liderada por Jonas Gahr Store, do Partido Trabalhista.

"Os meus pensamentos e os mais profundos sentimentos estão com as pessoas afetadas, com as famílias, e também com a polícia e os profissionais de saúde que estão a trabalhar para assistir os que precisam", disse o primeiro-ministro indigitado, qualificando o ataque como "cruel e brutal".

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