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Talibãs do Afeganistão e EUA retomam conversações de paz após três meses

Talibãs do Afeganistão e EUA retomam conversações de paz após três meses

Os talibãs confirmaram, no sábado, a retoma das negociações com os Estados Unidos em Doha, no Qatar, três meses após o Presidente dos Estados Unidos as ter cancelado, após um ataque em Cabul em que morreu um soldado americano.

"Hoje, a equipa de negociação do emirado islâmico, liderada pelo respeitado mulá Baradar Akhund [número dois dos talibãs], retomou as negociações com a equipa de negociação dos Estados Unidos a partir de onde foram suspensas", escreveu na sua conta na rede social Twitter o porta-voz do dos talibãs no Qatar, Suhail Shaheen.

Shaheen disse ainda que as negociações continuam no domingo e que Anas Haqqani, filho do fundador da rede Haqqani, um importante ramo da rebelião talibã, libertado em novembro de uma prisão afegã como parte de uma troca de prisioneiros, participou desta negociação como membro da delegação talibã.

Haqqani e outros dois prisioneiros dos talibãs foram libertados pelo Governo afegão em novembro, em troca de dois professores universitários ocidentais, como medida de reforço da confiança, para abrir caminho ao reatar das negociações.

A libertação também serviu para aproximar posições entre o Governo afegão e os talibãs, que se recusam a negociar pessoalmente com o executivo do Presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, considerado um fantoche do ocidente pelo grupo extremista.

O enviado dos Estados Unidos para a reconciliação afegã, Zalmay Khalilzad, desempenhou um papel ativo no intercâmbio de prisioneiros.

Antes de viajar para o Qatar para retomar as negociações de paz, Khalilzad chegou ao Afeganistão na quarta-feira e realizou uma série de reuniões com líderes e políticos no país, incluindo o Presidente Ghani.

Ghani pediu a Khalilzad que tenha em conta que para iniciar o processo de paz os talibãs devem aceitar um cessar-fogo e que as conversações também devem abordar a questão dos refúgios dos talibãs no vizinho Paquistão.

Embora o cessar-fogo ou pelo menos a redução da violência tenha sido uma das principais exigências do Governo afegão nos últimos meses, o grupo extremista tem-se recusado a aceitar, argumentando que deve primeiro assinar um acordo de paz com os Estados Unidos e depois estabelecer conversas com políticos afegãos nas quais o Governo também poderia participar.

Os talibãs estão em guerra com os Estados Unidos e o Governo do país desde há 18 anos, quando os Estados Unidos invadiram o Afeganistão e derrubaram os fundamentalistas islâmicos do poder.

A interrupção abrupta do diálogo de paz entre os Estados Unidos e os líderes afegãos e dos talibãs ocorreu após uma onda de violência que culminou num bombardeamento em Cabul no qual morreram 12 pessoas, incluindo um soldado norte-americano.

Os Estados Unidos e os talibãs estavam perto de um acordo em setembro, que poderia ter permitido a retirada de tropas norte-americanas do país.

A guerra no Afeganistão, iniciada em 2001, já matou dezenas de milhares de civis afegãos e mais de 2.400 militares norte-americanos.

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