Índia

Telemóveis com "tecla de pânico" para proteger mulheres

Telemóveis com "tecla de pânico" para proteger mulheres

A partir de janeiro de 2017, todos os telemóveis vendidos na Índia terão uma "tecla de pânico" para ajudar a proteger mulheres.

Os telemóveis vendidos na Índia vão ter, a partir de 1 de janeiro de 2017, uma "tecla de pânico" que alerta a polícia, familiares e amigos em caso de perigo.

Num país onde os índices de abuso sexual sobre mulheres continuam a subir, a medida do governo será uma forma de proteger as mulheres contra este tipo de crimes.

A medida foi anunciada no mês passado pela ministra do Desenvolvimento das Crianças e das Mulheres, Maneka Gandhi e foi reafirmada na passada sexta-feira, no Conselho de Estados da Índia.
"Teclas de pânico vão ser obrigatórias desde 1 de janeiro de 2017 e qualquer mulher em perigo pode pressioná-la. Antes disso, os telemóveis vão ser adaptados", respondeu Maneka Gandhi a uma resolução de membros privados acerca dos problemas de segurança das mulheres.

O departamento de comunicações indiano estabeleceu que todos os telemóveis de baixa tecnologia vão ser configurados de modo a que os números 5 e 9 sejam a tecla de pânico, enquanto nos smarphones o alerta será ativado quando a tecla "ligar/desligar" for pressionada três vezes.

Há também outra proposta a ser desenvolvida para ajudar na segurança das mulheres. Trata-se de um "app" que alerta as 10 pessoas mais próximas para que possam ajudar a possível vítima até que a polícia chegue. No país existem já várias aplicações para smartphones que têm a mesma função que a tecla de pânico, incluindo a "app" da Uber que tem uma tecla "SOS". Os telemóveis da Motorola têm uma tecla de pânico opcional.

No entanto, podem existir bastantes obstáculos ao funcionamento da medida. Um deles é que muitos telemóveis fabricados na China custam menos de 20 euros e não têm capacidade de incorporar tecnologias como GPS. Kiranjeet Kaur, analista de dados numa empresa indiana, disse ao "The New York Times" que inserir estas funções poderia aumentar o preço dos telefones em 50%.

Outra barreira insere-se no facto de muitas mulheres serem ainda proibidas de terem um telemóvel. Em fevereiro, a Reuters informou que em várias aldeias no ocidente da Índia começaram a proibir mulheres e raparigas adolescentes de usar estes aparelhos, uma vez que interferiam com os seus estudos e poderiam ajudá-las a fugir.