Terrorismo

Tensão em Bruxelas com grupo de extrema-direita

Tensão em Bruxelas com grupo de extrema-direita

Um grupo de manifestantes de extrema-direita invadiu, este domingo, a Praça da Bolsa, em Bruxelas, no local onde várias pessoas prestavam tributo às vítimas dos atentados de terça-feira. Houve momentos de tensão. A polícia usou canhões de água e fez uma dezena de detenções. Veja as imagens.

Os manifestantes de extrema-direita surgiram de forma inesperada na Praça da Bolsa e gritaram frases anti-imigração, lançaram projéteis incendiários contra as forças de ordem e destruíram mobiliário urbano. Eram cerca de 200, estavam vestidos de negro e alguns tinham a cara tapada.

Cerca das 15.30 horas (14.30 horas em Portugal continental), o grupo aproximou-se da zona fechada à circulação e atirou latas de cerveja e garrafas contra as pessoas que já estavam no local, em homenagem às vítimas dos atentados. "Os fascistas é que são terroristas", "não quero fascistas no meu bairro" responderam.

Foram momentos de tensão, durante cerca de meia hora, com um forte dispositivo policial a tentar dispersar o grupo de forma pacífica. O grupo de extrema-direita só desmobilizou depois de a polícia usar canhões de água.

O grupo foi "empurrado" pelas autoridades em direção à Gare do Norte e, no caminho, cometeram pequenos atos de vandalismo, derrubando vasos e caixotes de lixo. Durante o protesto, a polícia belga deteve uma dezena de pessoas, disse um porta-voz das autoridades à agência AFP.

Em declarações à agência Lusa, um dos manifestantes vestidos de negro explicou que a ação, interrompida pela polícia, visava os imigrantes, acusados de viverem à conta do estado social belga. "Eles só têm direitos, não querem ter obrigações", disse, numa referência aos imigrantes.

O homem falou em espanhol, alegando que é descendente de imigrantes espanhóis no país mas afirmando-se diferente de quem está a chegar agora de novo à Bélgica. A sua mãe, disse, imigrou de Espanha para a Bélgica aos 14 anos, com o avô, para trabalharem, "ao contrário destes".

"Estou farto do que se passa. Tanto faz, sejam muçulmanos ou não. Eles nem têm que trabalhar porque lhes dão tudo", afirmou.

Este domingo, a Praça da Bolsa seria o local de concentração para a "Marcha contra o Medo", que foi desconvocada após um apelo das autoridades por motivos de segurança. No entanto, algumas pessoas e turistas continuaram a dirigir-se para o local onde estão depositadas flores, velas e mensagens pela paz.

As três explosões registadas na terça-feira em Bruxelas - duas no aeroporto internacional de Zaventem e uma na estação de metro de Maelbeek, junto às instituições europeias, no centro da capital belga - foram reivindicadas pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI).

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