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Tensão Rússia-Ucrânia: o que está em causa?

Tensão Rússia-Ucrânia: o que está em causa?

Quais são as regiões separatistas da Ucrânia?

Donetsk e Lugansk (a região do Donbass) separaram-se da Ucrânia em 2014 (no mesmo ano, a Rússia anexou a península da Crimeia e a cidade de Sebastopol) e proclamaram a independência das suas "repúblicas populares". O regime de Vladimir Putin garantiu a viabilidade dos dois territórios através de ajuda militar, auxílio financeiro e, até, nos anos da pandemia, com vacinas contra a covid-19, transformando-as, na prática, em estados satélites da Federação Russa.

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Existe alguma ligação entre estas regiões e Portugal?

A principal cidade do Donbass é Donetsk. Para os portugueses mais atentos ao fenómeno futebolístico, Donetsk é um nome familiar, por causa do principal clube de futebol da cidade, o Shaktar, que já foi treinado por dois portugueses: Paulo Fonseca (2016 a 2019) e Luís Castro (2019-2020). A cidade foi também uma das sedes do Euro 2012.

Que relação tem o Donbass com Moscovo e quem lá vive?

Até agora, Moscovo entendia que as duas regiões faziam parte da Ucrânia, mesmo que a Rússia fosse o único garante da viabilidade política dos líderes separatistas de Lugansk e Donetsk. De forma oficiosa, eram já uma espécie de províncias russas. Aqui viverão, ainda, cerca de três milhões de pessoas, ou seja, cerca de metade da população de antes da guerra iniciada em 2014. Cerca de 800 mil dos seus habitantes têm passaporte russo.

O que são os acordos de Minsk e porque falharam?

Na sequência da anexação da Crimeia e da guerra civil no Donbass, foram assinados dois acordos. O primeiro, ainda em 2014, estabelecia um cessar-fogo entre o exército ucraniano e os separatistas russos. O segundo, assinado em 2015, continha uma espécie de guião para a paz. Que nunca foi cumprido. Moscovo defende que o acordo estabelece a autonomia alargada das repúblicas de Donetsk e Lugansk e até o direito de veto em questões nacionais (por exemplo, no caso de pedidos de adesão à União Europeia ou à NATO). Os ucranianos sustentam que o que foi acordado foi uma autonomia mitigada e que, antes de ser aplicada, é obrigatório o desarmamento das milícias russas e a passagem do controlo das fronteiras para o Estado central. Posições contraditórias que ditaram que um caminho para a paz se transformasse num beco sem saída.

A Rússia já reconheceu outras repúblicas separatistas?

Nada disto é novo, a diferença está na dimensão, uma vez que a Ucrânia é um país gigantesco onde vivem mais de 40 milhões de pessoas. Em 2008, depois de um breve conflito militar com a Geórgia, outra ex-república soviética que pretendia escapar aos ditames do Kremlin, os russos reconheceram a independência da Ossétia do Sul e da Abkhazia. Garantem, desde então, apoio financeiro aos separatistas, cidadania russa às populações e a de defesa contra as investidas do Estado georgiano, com a permanência de milhares de tropas nas duas "repúblicas". O objetivo (então, como agora na Ucrânia), é impedir o controlo do território e com isso bloquear qualquer tentação da Geórgia em aderir, por exemplo, à NATO.

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