Hungria

Tensões nacionalistas na Eslováquia em período eleitoral

Tensões nacionalistas na Eslováquia em período eleitoral

A campanha eleitoral na Eslováquia para as eleições gerais do próximo sábado coincidiu com um súbito aumento da tensão política e diplomática com a vizinha Hungria, em torno da sempre sensível "questão nacional".

O mais recente diferendo entre Bratislava e Budapeste atingiu o auge com as celebrações, no passado dia 4 de Junho, do 90.º aniversário do Tratado de Trianon, firmado após a I Guerra Mundial, que amputou a Hungria de dois terços do seu território, incluindo a Eslováquia, e de metade da sua população.

O novo Parlamento húngaro, eleito em Abril, onde o Governo conservador de Viktor Orban garante uma maioria de dois terços, aprovou uma polémica lei, rejeitada por sociais-democratas e Verdes, que elege o dia 4 de Junho como "Jornada Comemorativa Nacional".

Pouco antes, outra controversa legislação (aprovada em 26 de Maio pelo Parlamento de Budapeste, mas desta vez com o apoio de todo o espectro político), também prevê a possibilidade de todos os húngaros da "diáspora" solicitarem a dupla nacionalidade, mesmo que nunca tenham residido na Hungria. Exige-se apenas que provem ter antepassados húngaros e conhecimento da língua.

De acordo com esta lei, que entrará em vigor em 20 de Agosto e começará a ser aplicada a 1 de Janeiro de 2011 - data em que a Hungria assume a presidência semestral rotativa da União Europeia -, os "novos húngaros" não terão no imediato direito de voto automático na Hungria, ou a pensões ou prestações sociais.

A lei abrange 3,5 milhões de cidadãos de origem húngara que vivem sobretudo na Roménia e Eslováquia, mas também na Sérvia, Croácia, Ucrânia e Áustria. Na Eslováquia, representam cerca de 10% dos 5,4 milhões de habitantes.

Os partidos nacionalistas eslovacos, aliados no poder ao Smer (sociais-democratas) do primeiro-ministro Robert Fico, reagiram de imediato e não prescindiram que esgrimir a "cartada nacionalista e anti-magiar", que neste contexto garante sempre votos suplementares.

PUB

No próprio dia 26 de Maio, o Governo de coligação eslovaco aprovou uma lei que retira a nacionalidade eslovaca aos magiares que decidam adoptar a dupla nacionalidade, impedindo-os designadamente de exercer funções públicas.

No início de Abril, o Parlamento de Bratislava tinha já aprovado uma lei onde se prevê que a partir do próximo ano lectivo todos os estudantes do país devem escutar todas as segundas-feiras de manhã, pelos megafones das escolas, o hino nacional. A decisão suscitou fortes protestos na minoria húngara.

Neste cenário, parecem não ter surtido efeito os apelos do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, que num encontro com Viktor Orban, em Maio, pediu o início de um "diálogo construtivo" com a Eslováquia e "num espírito europeu".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG