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Terceira noite de motins e pilhagens que já alastraram para fora de Londres

Terceira noite de motins e pilhagens que já alastraram para fora de Londres

A polícia britânica teve dificuldades em conter a violência e pilhagens da terceira noite de motins em Londres. Os distúrbios já alastraram a outras cidades do país, como Birmingham, Bristol e Liverpool. A Imprensa fala em anarquia, "com os Olímpicos de Londres a menos de um ano" de se realizarem.

As autoridades tiveram de recrutar mais 1700 agentes para fazer face aos incidentes em Londres mas em muitas ocasiões a polícia não era suficiente para impedir a acção de centenas de jovens nas ruas.

Alguns dos piores problemas aconteceram nos bairros de Croydon, Clapham, Ealing, Camden e Hackney, onde se registaram veículos e edifícios incendiados, lojas vandalizadas e saqueadas e confrontos com a polícia.

Pelo menos 334 pessoas foram detidas desde sábado, entre as quais uma criança de 11 anos, precisou a polícia.

Os bombeiros também estiveram activos no combate a vários incêndios, incluindo um de grande dimensão de uma loja de mobílias em Croydon que destruiu um negócio criado em 1867 de cinco gerações na mesma família.

Os primeiros distúrbios fora de Londres foram registados em Birmingham, no centro de Inglaterra, onde várias lojas foram pilhadas, o que resultou em cerca de 100 pessoas detidas.

Mais problemas foram registados em Liverpool, no norte, e Bristol, no sul do país, embora de menores proporções relativamente aos de Londres.

Uma reunião de emergência do comité Cobra, que lida com emergências civis, foi convocada para esta manhã pelo primeiro-ministro, David Cameron, que antecipou o regresso de férias.

Também o mayor de Londres, Boris Johnson, e o líder da oposição, o trabalhista Ed Miliband, decidiram voltar a Londres para participar lidar com a crise.

Imprensa fala em "anarquia"

Imagens de jovens de cara tapada e com veículos em chamas em pano de fundo fazem as primeiras páginas da imprensa britânica onde se lê "anarquia" em várias manchetes e editoriais, que analisam os motins.

"Há aqui um contexto de desconfiança da polícia", lê-se no "Independent", que lembra a morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, em 2005, cujas circunstâncias foram inicialmente encobertas pelas autoridades.

O jornal vinca que na origem da violência dos últimos três dias esteve um protesto contra as dúvidas existentes sobre a morte de um residente local durante uma operação policial na quinta-feira.

O "Guardian" considera que a morte de Mark Duggan "deve ser completamente examinada antes de ser feito um juízo final".

O "Daily Telegraph" condena o que descreve como as "mais vergonhosas pilhagens alguma vez observadas nestes país, levadas a cabo por dezenas de jovens criminais oportunistas".

O "Sun" indigna-se por não existirem "canhões de água e gás lacrimogéneo quando os vândalos estão a queimar carros e a saquear lojas". E acrescenta: "Com os Olímpicos de Londres a menos de um ano, a nossa reputação está a ser manchada na pior altura", refere.

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