Estudo

Terror mata menos, mas está mais perto de cada um de nós

Terror mata menos, mas está mais perto de cada um de nós

O número de vítimas mortais desce pelo quarto ano consecutivo. No entanto, os países atingidos pelo terrorismo são agora 71, o mais alto valor deste século.

O terrorismo mata menos, mas a sua nefasta sombra está mais espalhada. O número de fatalidades baixou pelo quarto ano consecutivo, contudo, os países que sucumbiram ao terror são agora 71, o mais alto registo deste século. Por outro lado, o grupo extremista Estado Islâmico (EI) já não é o mais letal, deixando o pouco recomendável estatuto para os talibãs, que operam no Afeganistão. As conclusões são do Índice Global do Terrorismo, elaborado pelo Instituto para a Economia e Paz, sediado em Sydney, na Austrália.

O recuo do número de atentados e de mortes está essencialmente ligado às derrotas infligidas ao EI, no Iraque e na Síria, e ao também islamista al-Shabab, na Somália.

Em 2018, o ano pós-batalha de Mossul, "capital" do Estado Islâmico após as conquistas de 2014, o Iraque não foi, pela primeira vez desde a invasão norte-americana de 2003, o país mais duramente visado pelo terrorismo.

A tremenda ironia da "guerra mundial contra o terror" decretada por Washington na ressaca dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos é o Afeganistão - na altura, base da al-Qaeda, promotora daqueles ataques - ter-se tornado, 18 anos depois, o país mais martirizado pelo terrorismo.

Na Europa, o número de mortes às mãos da deriva terrorista caiu pelo segundo ano consecutivo, de mais de 200 em 2017 para 62 no ano passado, em que apenas dois ataques mataram cinco ou mais pessoas. Steve Killelea, presidente executivo do instituto: "O colapso do EI na Síria e no Iraque foi um dos fatores que levaram a Europa Ocidental a registar a cifra mais baixa de incidentes desde 2012, com nenhuma morte atribuída ao grupo em 2018. No entanto, a situação ainda é instável, com grandes áreas da Síria a ser disputadas e muitos grupos menores, simpatizantes da filosofia do EI, a permanecer ativos, o que ainda mantém viva a possibilidade de novos ataques islâmicos em território europeu".

Talibãs são os mais violentos

Pela primeira vez em seis anos, o EI não é a entidade mais mortífera no quadro do terrorismo global. Apesar de operarem basicamente no Afeganistão, os talibãs tornaram-se o grupo mais violento do planeta, reclamando mais de um terço das vítimas mortais do terror a nível mundial - fixadas em 6103 -, o que representa um acréscimo de 71% em relação a 2017.

No caso do Estado Islâmico, as mortes caíram 69% (para 1328) e o número de ataques foi reduzido em 63%. Os dados refletem o enfraquecimento das atividades do grupo, consequência direta da ação da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos. O estudo estima que, atualmente, há 18 mil militantes do EI no Iraque e na Síria. Há cinco anos, eram cerca de 70 mil.

Apesar do decréscimo do número de atentados que se tem vindo a verificar desde há quatro anos, o Índice Global do Terrorismo confirma uma evidência: o falhanço da política de combate ao terror colocada em cena pelos Estados Unidos após o 11 de setembro.

A militarização da luta antiterrorista - antes, um domínio reservado aos serviços de informação e à ação secreta -, com a ocupação do Afeganistão e, depois, com a invasão e a ocupação do Iraque, ofereceu aos movimentos jiadistas cenários de guerra onde conseguiram recrutar combatentes em número bem mais generoso do que as aspirações iniciais dos extremistas. v

Mais extrema-direita

Houve um aumento no terrorismo de extrema-direita pelo terceiro ano consecutivo na Europa Ocidental, América do Norte e Oceânia, com o número de mortes a aumentar 52% no ano passado. A tendência continuou neste ano, com 77 mortes até o fim de setembro.

Mulheres em alta

Também se registou um acréscimo na participação feminina em atos terroristas, embora ainda represente uma pequena percentagem dos ataques. A tendência intensificou-se nos últimos cinco anos e o número de ataques suicidas femininos cresceu 450% entre 2013 e 2018.