Testemunho

Terrorismo em Moçambique: "Quando entram nas aldeias, é para matar"

Terrorismo em Moçambique: "Quando entram nas aldeias, é para matar"

Desde que chegou a Moçambique, a irmã Aparecida não conhece outro cenário em Cabo Delgado que não este, que persiste há quatro anos: sob ataque. A religiosa aterrou na província do nordeste moçambicano em 2017. Ao JN, conta o que ali já viveu.

"No início, eram ataques pequenos, em zonas mais rurais. Nos dois últimos anos, intensificaram-se e invadiram distritos onde agora não há ninguém, como Mocímboa, Muidumbe, Macomi e Quissanga", descreve a brasileira, de 40 anos, formada em Psicologia e agora integrada na diocese de Pemba.

Dos 17 distritos de Cabo Delgado, nove foram atacados. Os relatos são dolorosos: "Pessoas viram toda a família ser degolada, torturada". Os traumas deixados pelo encontro com os atacantes são muitos, conta a irmã Aparecida. "Quando entram nas aldeias, é sempre para matar."

Recorda uma mulher a quem os insurgentes mataram toda a família. Foi poupada, bem como os seus seis netos. Fugiram. No caminho, uma das crianças morreu. "Quando chegou ao campo, vinha tão traumatizada que estava surda e cega." Era psicológico.

Grupos de órfãos

A questão da fome é também gritante. Os jiadistas controlam uma das principais estradas, tornando difícil o transporte de alimentos.

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Realojar crianças tem sido outro dos grandes desafios. "Muitas perderam os documentos, não sabem da família. Muitas delas fugiram sozinhas, pelas matas, e conseguiram chegar à cidade. A maioria dos deslocados são mulheres e crianças."

A Pemba, a irmã Aparecida viu chegar um grupo de 40 crianças sozinhas.

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