Covid-19

Testar, testar, testar: "milagre" português com destaque em Inglaterra

Testar, testar, testar: "milagre" português com destaque em Inglaterra

Portugal é o sexto país com mais testes realizados, por mil habitantes, para detetar o novo coronavírus. É por isso motivo de estudo, à semelhança do que já aconteceu com as baixas taxas de infeção quando comparadas com Espanha ou Itália.

Como é que o país pobre, na cauda da Europa por tão maus motivos, em tantos dos rankings, nomeadamente na área da saúde, consegue estar no top 10 mundial de testes realizados na pandemia? Foi a partir da pergunta que o jornal britânico "The Telegraph" tentou perceber o modelo adotado no país para detetar e controlar os focos de infeção.

No topo da lista da "Our World in Data", uma publicação especializada em estatística, Portugal tinha realizado, até ao dia 19 de maio, quase 70 testes de despistagem ao novo coronavírus por cada mil habitantes. Acima de Portugal, apenas cinco países, de cima para baixo: Islândia, Bahrein, Luxemburgo, Lituânia e Dinamarca. Abaixo, países mais poderosos e tecnologicamente avançados como Israel, EUA, Noruega, Inglaterra ou Coreia do Sul.

Uma das explicações apontadas no trabalho para o "milagre" dos números é a convergência de esforços entre o Serviço Nacional de Saúde, as universidades e o sistema de saúde privado.

O sucesso do país em combater a pandemia tornou-se conhecido em todo o mundo e entre as razões apontadas por diversas vezes, destaca-se uma: as notícias da tragédia vivida em Itália e Espanha alertaram a população, que de forma voluntária e determinada se isolou antes do confinamento obrigatório ser determinada pelo Governo com a declaração do Estado de Emergência. Acresce a isso o facto de Portugal ter fechado escolas quando nem 800 casos de infeção existiam, ao contrário de Espanha que aplicou a restrição quando já registava mais de seis mil casos positivos.

Para o elevado número de testes realizados a explicação é outra, as autoridades nacionais de saúde perceberam que uma das soluções para controlar a pandemia era testar, testar, testar. Em várias cidades, vimos filas de carros para os centros para onde seguiam os casos suspeitos, previamente triados pela linha de Saúde 24.

O jornal inglês refere que a colaboração com os laboratórios privados permitiu testar 14 mil pessoas, todos os dias, entre 1 e 17 de maio. Um número significativo num país que tem dos piores rácios de camas em unidades de cuidados intensivos do mundo.

Desde abril que Portugal permanece no "top 10 dos países que mais testes 'per capita' realiza em todo o mundo", explica o artigo.

Como os demais países, inicialmente o verbo predominante era racionar o material que existia no país, nomeadamente reagentes, já que não chegaria para testar toda a gente ao mesmo tempo.

A Academia contribuiu com o saber de investigações em outras doenças, nomeadamente da malária para ajudar. Ouvida pelo "The Telegraph", a professora Maria Manuel Mota, diretora do Instituto de Medicina Molecular da Universidade de Lisboa, conta como a unidade se dedicou a ajudar as autoridades de saúde a partir da experiência adquirida nos seus laboratórios.

O protocolo que a equipa desenvolveu foi autorizado pelo Instituto Nacional Ricardo Jorge e no espaço de semanas estava a ser aplicado, ajudando aos esforços nacionais de testagem.

A comparação é feita para explicar o que pode estar a correr menos bem no Reino Unido, onde as universidades e laboratórios privados têm criticado a falta de capacidade de colaboração dosServiço Nacional de Saúde britânico.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG