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Theresa May diz estar pronta para enfrentar moção de censura

Theresa May diz estar pronta para enfrentar moção de censura

A primeira-ministra britânica, Theresa May, vai enfrentar esta quarta-feira uma moção de censura interna do partido Conservador à sua liderança.

"Vou contestar essa moção com tudo o que tenho", garantiu Theresa May numa declaração, esta manhã, em Downing Street, referindo que está "firmemente decidida a terminar o trabalho" de aplicação do Brexit.

"Devemos e cumpriremos com o voto do referendo [sobre a saída da União Europeia ou Brexit] e aproveitaremos as oportunidades que temos pela frente", acrescentou.

Na sua declaração, a primeira-ministra disse que eleger agora um novo líder conservador é um "risco" para o futuro do país e sublinhou que um novo líder não terá tempo suficiente para reabrir as negociações com a União Europeia (UE) sobre o Brexit.

Um novo líder teria que adiar a retirada do país da UE, que deverá ocorrer a 29 de março, ou revogar a notificação em que é baseada no artigo 50.º do Tratado de Lisboa, que o Reino Unido invocou em março 2017 e iniciou o processo para a saída britânica da UE.

Na opinião de Theresa May, o líder da oposição trabalhista, Jeremy Corbyn, seria o beneficiário da chegada de um novo líder à frente do partido no poder.

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A votação está prevista para esta quarta-feira, entre as 18 horas e as 20 horas, sendo os votos contados "imediatamente depois e um anúncio será feito o mais breve possível".

O presidente da Comissão, Graham Brady, Comissão 1922, que gere o processo de eleições internas do partido Conservador, confirmou por comunicado que foi atingido o número de cartas suficiente para que seja pedida a retirada da confiança à líder.

Para uma moção de censura ser ativada, tinha de ser subscrita por 48 deputados conservadores, equivalente a 15% do grupo parlamentar.

Cabe ao presidente da Comissão confirmar que foi atingido o número de cartas necessário e determinar o dia de uma votação secreta de todo o grupo parlamentar de 315 deputados.

A última vez que um líder conservador foi deposto pelos seus próprios parlamentares, foi em 2003, quando Iain Duncan Smith acabou por ser substituído por Michael Howard.

A decisão sobre se o líder, neste caso Theresa May, mantém ou deixou de merecer a confiança dos deputados é ditada quando reúne pelo menos metade dos votos mais um, ou seja 159.

Se May vencer, fica imune durante um ano a nova contestação interna, embora uma vitória por uma margem curta possa fazer com que coloque o lugar à disposição.

Se a líder dos 'tories' perder, é afastada e inicia-se uma corrida para a sucessão, que só pode ter como candidatos deputados eleitos pelo partido Conservador com o apoio de pelo menos dois colegas.

Os pretendentes são sujeitos a uma série de votos secretos que vão eliminando aqueles menos populares até restarem apenas dois, que são então alvo de um sufrágio geral junto dos militantes do partido.

O processo pode demorar várias semanas, a não ser que um dos dois candidatos finais se retire da corrida, como fez Andrea Leadsom em 2016, deixando o caminho a Theresa May.

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