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Touradas ainda beneficiam de milhões de euros em fundos da União Europeia

Touradas ainda beneficiam de milhões de euros em fundos da União Europeia

Apesar dos esforços dos membros do Parlamento Europeu, a tauromaquia continua a ser monetariamente apoiada através de subsídios a longo prazo.

Os defensores dos Direitos dos animais alegam que as touradas estão a ser mantidas na Europa, devido a fundos de milhões de euros destinados a quintas, financiados pela política da agricultura comum (PAC) da UE. Esta foi lançada em 1962 como "parceria entre a agricultura e a sociedade e entre a Europa e os seus agricultores", com o objetivo de apoiar a comunidade agrícola e a sua produtividade.

Em 2015, os eurodeputados votaram a favor do bloqueio destes fundos "para o financiamento de atividades tauromáquicas letais". Até hoje, poucas alterações foram feitas devido à preocupação em salvaguardar as provisões legais da PAC. Desta forma, as quintas que fazem criação de touros para as touradas continuam a receber subsídios de apoio.

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A fundação espanhola "Toro de Lidia", constituída por "agricultores, toureiros, empresários e fãs para defender as touradas", estima que a proibição do apoio prestado pela União Europeia representaria um impacto de duzentos milhões de euros no setor.

Um responsável da UE referiu que não há fundos especificamente destinados à criação de animais para touradas, mas pelo facto de não estarem excluídos ou proibidos, os criadores de touros continuam a poder receber os fundos de financiamento agrícola.

Tendo em conta a diminuição de festivais que incluem esta prática, e juntamente com o efeito da pandemia, o eurodeputado português, citado pelo "The Guardian", Francisco Guerreiro descreveu este subsídio como "um balão de oxigénio que está continuamente a ajudar esta indústria a manter-se à tona". Em Espanha, França e Portugal continuam a defender-se as cerca de mil quintas de exploração de touros reprodutores para touradas em toda a UE.

Em 2021, foi aprovado um decreto-lei em Portugal que altera de 12 para 16 a idade mínima para assistir a touradas, embora o Comité das Nações Unidas para os Direitos das Crianças recomende 18. A decisão foi criticada por municípios onde se realizam espetáculos tauromáquicos, mas a líder do PAN afirmou que "continuará a defender" a abolição das touradas.

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