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Trabalhador demitido faz História e consegue o primeiro sindicato da Amazon

Trabalhador demitido faz História e consegue o primeiro sindicato da Amazon

Depois de ter sido demitido pela Amazon na sequência de um protesto, Christian Smalls liderou a campanha da criação de um sindicato. Dois anos depois, ei-lo: o primeiro da empresa.

Num movimento histórico que deixou Joe Biden "feliz" - assim disse na sexta-feira -, funcionários de um armazém da Amazon em Staten Island, Nova Iorque, votaram a favor da criação do primeiro sindicato da gigante tecnológica. Esta é a primeira vez que uma organização sindical - a Amazon Labor Union - consegue erguer-se contra a empresa de Jeff Bezos, tantas vezes debaixo de fogo por causa das condições laborais questionáveis.

Ao fim de dois dias de contagem dos votos, mais de 50% dos trabalhadores da armazém JFK8 votaram favoravelmente à sindicalização (2654 contra 2131 que se opuseram), selando com sorrisos rasgados e mãos em punho vários meses de luta, partilhada por trabalhadores da Amazon do resto do país, que também se têm debatido para exigir melhores condições de trabalho à gestão da empresa.

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"Trabalhámos, divertimo-nos e fizemos história. Congratulo-me com o primeiro sindicato da Amazon nos Estados Unidos da América", escreveu no Twitter o líder sindical Christian Smalls, que espera que a decisão desencadeie um "efeito cascata" noutros armazéns da gigante do comércio digital.

Aos 33 anos, Christian pode bem orgulhar-se de ter sido o timoneiro de uma decisão que já é histórica. O norte-americano - que já trabalhou também no Walmart, na Target e na Home Depot - começou por ser rapper, mas desistiu do sonho da música para sustentar os filhos gémeos e, em 2015, conseguiu um emprego na Amazon em Nova Jérsia, de onde saiu depois para Nova Iorque, onde esteve à cabeça da criação de um sindicato quando a pandemia começou.

O trabalhador foi demitido em março de 2020 pela gestão da empresa por ter organizado uma greve para denunciar a falta de proteção aos trabalhadores na sequência de um surto de covid-19, quando trabalhava como supervisor no centro de distribuição. De acordo com a Amazon, o afastamento deveu-se ao facto de Christian Smalls não ter seguido os protocolos de segurança ao aparecer nas instalações, apesar de ter sido solicitado que cumprisse quarentena depois de ter sido exposto ao vírus.

No dia da demissão, o procurador-geral do Estado começou a investigar o caso, precipitando vários meses de batalhas legais entre o trabalhador e a empresa. Em notas escritas que chegaram à imprensa e pelas quais expressou mais tarde arrependimento, David Zapolsky, alto responsável da Amazon, chamou Smalls de "burro" e sugeriu que a empresa o tornasse no rosto de todo o movimento sindical, para passar uma mensagem. O ataque serviu de motivação e Christian tornou-se realmente no rosto do sindicalismo, mas a mensagem que passou acabou por ser outra e, dois anos depois de ter sido demitido, conseguiu levar à criação do tão desejado sindicato.

A companhia do multimilionário norte-americano Jeff Bezzos sempre se opôs à sindicalização dos trabalhadores, fazendo campanha pelo voto "não" que contou inclusivamente com um site. Como outras grandes empresas que se opõem a qualquer tipo de organismo sindical, a Amazon defendeu sempre ser melhor manter uma comunicação direta entre a empresa e o trabalhador do que fazê-lo por via de terceiros.

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