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Trabalhistas surpreendem com promessa de Internet rápida grátis até 2030

Trabalhistas surpreendem com promessa de Internet rápida grátis até 2030

A 26 dias das eleições legislativas de 12 de dezembro, o Partido Trabalhista anunciou uma das medidas mais vistosas e controversas até agora, prometendo Internet de banda larga grátis em todo o país até 2030.

A medida implica nacionalizar parcialmente a empresa de telecomunicações BT e introduzir um imposto sobre as multinacionais tecnológicas para garantir o financiamento, estimado em 20 mil milhões de libras (23 mil milhões de euros).

"A Internet tornou-se num elemento tão central das nossas vidas. Abre oportunidades de trabalho, criatividade, entretenimento e amizade. O que antes era um luxo agora é um serviço essencial", justificou o líder do 'Labour', Jeremy Corbyn.

A BT, que foi privatizada em 1984, reagiu com cautela, mostrando-se disponível para colaborar, mas alertando que o plano pode custar mais do dobro do valor estimado pelos Trabalhistas e que tem consequências, tanto para os investidores e como para os aposentados cujas reformas dependem dos fundos de pensões com ações na empresa.

A ideia foi recebida com surpresa e ceticismo pelo setor, representado pela associação TechUK, e qualificada como um "desastre", incluindo para os consumidores, pois a nacionalização resultaria "numa interrupção do investimento não apenas pela BT, mas por um crescente número de companhias novas e inovadoras".

"Esta pode ser uma eleição natalícia, mas isto está a tornar-se ridículo. Mais um dia, mais um presente incomportável na lista", escarneceu Sam Gyimah, dos Liberais Democratas.

O primeiro-ministro, Boris Johnson, qualificou a proposta "fantasiosa", "excêntrica", "um plano comunista maluco" e garantiu que o plano do Partido Conservador para expandir a rede de banda larga é "sensato e custeado".

De qualquer maneira, a medida ofuscou os anúncios dos Conservadores para reabrir linhas ferroviárias no interior do país, investindo 500 milhões de libras (584 milhões de euros), e revitalizar o retalho, reduzindo os impostos aplicáveis aos imóveis comerciais, e dos Liberais Democratas de investir 100 mil milhões de libras (117 mil milhões de euros) no combate às alterações climáticas nos próximos cinco anos.