Tikhanovski

Tribunal condena marido da líder da oposição da Bielorrússia no exílio

Tribunal condena marido da líder da oposição da Bielorrússia no exílio

A justiça bielorrussa condenou, esta terça-feira, a 18 anos de prisão o opositor do regime de Minsk Serguei Tikhanovski, marido da líder da oposição no exílio, Svetlana Tikhanovskaya, por ter alegadamente organizado "motins em massa".

Tikhanovski, detido no final de maio de 2020, foi condenado por preparar e organizar manifestações antes do início da campanha para as eleições presidenciais de agosto do ano passado, das quais saiu vencedor o Presidente Alexander Lukashenko (no poder há 26 anos), mas que foram consideradas fraudulentas por organizações internacionais e pelos países ocidentais.

O mesmo tribunal bielorrusso que pronunciou a sentença de Serguei Tikhanovski condenou também outros críticos do regime de Lukashenko a pesadas penas de prisão.

Mikola Statkevich, de 65 anos, considerado um dos grandes opositores do regime e ex-candidato à presidência, em 2010, foi condenado a 14 anos de prisão.

Artiom Sakov e Dmitry Popov, que faziam parte da equipa de Tikhanovski, Vladimir Tsyganovich, um crítico do poder através de vídeos divulgados através da plataforma YouTube, e Igor Lossik, um jornalista da oposição, de 29 anos, receberam penas de entre 15 e 16 anos de prisão, de acordo com a agência oficial Belta, o único órgão de comunicação social que fez a cobertura jornalística da sessão judicial.

Todos foram acusados de terem organizado ou participado em "motins em massa".

Momentos depois da divulgação da sentença, Svetlana Tikhanovskaya reagiu à deliberação judicial, considerando tratar-se de "uma vingança" do regime de Lukashenko.

PUB

"O meu marido, Serguei Tikhanovski, foi condenado a 18 anos de prisão. O ditador está a vingar-se publicamente dos seus opositores mais fortes", disse a líder da oposição, que procurou exílio na Lituânia, numa mensagem publicada na rede social Twitter.

"O mundo inteiro está a ver. Nós não vamos parar", acrescentou.

Forçada ao exílio desde o verão de 2020 por ter inspirado uma onda de protestos sem precedentes no país, Svetlana Tikhanovskaya, de 39 anos, declarou, num vídeo gravado e divulgado na rede de mensagens Telegram antes da decisão judicial, o seu amor pelo marido.

"Estou a gravar este vídeo antes da provável condenação de Serguei. Estou a tentar imaginar a sentença e, psicologicamente, será muito difícil aceitá-la", afirmou.

"Vou continuar a defender este homem que amo e que se tornou um líder para milhões de bielorrussos", acrescentou, garantindo que está pronta "para fazer o impossível" para acelerar o momento do seu reencontro.

Serguei Tikhanovski é um ativista e 'youtuber' que ficou conhecido por vídeos que continham forte críticas ao regime de Lukashenko, a quem chamou de "barata" que "devia ser esmagada".

Foi detido enquanto planeava candidatar-se à presidência da Bielorrússia, tendo sido substituído pela sua mulher, apesar de Svetlana não ter qualquer experiência política.

Para surpresa geral, Svetlana Tikhanovskaya mobilizou multidões nunca vistas contra Lukashenko, protestos que o regime bielorrusso reprimiu com violência, detenções arbitrárias, pesadas penas de prisão e exílios forçados.

Serguei Tikhanovski, de 43 anos, estava a ser julgado desde junho, à porta fechada.

Os advogados de defesa de todos os arguidos envolvidos no processo foram proibidos de falar, sob pena de perderem o direito a exercer a profissão, e as penas requeridas pelo Ministério Público também não foram dadas a conhecer.

"Acredito que [essas acusações] são imaginárias e politicamente motivadas", disse Tikhanovski, numa carta enviada no final de maio ao jornal alemão Deutsche Welle.

A justiça bielorrussa já condenou este ano dois outros grandes opositores do regime: o ex-banqueiro e candidato à presidência Viktor Babaryko, e a sua gestora de campanha, Maria Kolesnikova, que terão de cumprir, respetivamente, 14 e 11 anos de prisão.

De acordo com a organização não-governamental Viasna, a Bielorrússia tem atualmente 912 presos políticos.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG