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Tribunal superior confirma prisão perpétua para Bo Xilai

Tribunal superior confirma prisão perpétua para Bo Xilai

Um tribunal superior chinês confirmou, esta sexta-feira, a condenação a prisão perpétua do ex-líder comunista Bo Xilai, protagonista de um dos maiores escândalos da política chinesa nas últimas décadas.

O Tribunal da província de Shangdong, leste da China, rejeitou o recurso interposto por Bo Xilai, mantendo o veredito do tribunal de primeira instância, que em agosto passado julgou o ex-membro do Politburo do Partido Comunista Chinês (PCC) por corrupção, fraude e abuso de poder.

Bo Xilai, 64 anos, "passará o resto da sua vida atrás das grades", disse um repórter da Televisão Central da China ao anunciar a decisão daquele tribunal.

Teoricamente, Bo Xilai poderá ainda recorrer para o Supremo Tribunal Popular da China, a última instância, mas este reexamina apenas processos que culminaram com condenações à morte e não é o caso, justificou o mesmo jornalista.

Bo Xilai foi considerado culpado de ter aceitado subornos no valor de 20,44 milhões de yuan (2,43 milhões de euros), entre os quais uma vivenda em França, e de se ter apropriado de 5 milhões de yuan (595000 euros) de fundos públicos.

O abuso de poder que lhe foi imputado está relacionado com a investigação em torno do homicídio de um empresário britânico em Chongqing, em novembro de 2011, quando Bo Xilai era o líder do partido na cidade.

No verão passado, a mulher de Bo Xilai, Gu Kailai, foi condenada à morte com pena suspensa por dois anos pela morte do referido empresário e o então chefe da polícia de Chongqing e vice-presidente da câmara, Wang Lijun, que inicialmente encobriu o crime, foi condenado a 15 anos de prisão.

Há um ano, ao anunciar a expulsão de Bo Xilai, a Comissão Central de Disciplina do PCC afirmou que o antigo líder "prejudicou significativamente a reputação da China".

Durante o julgamento, realizado no tribunal de 1.ª instância de Jinan, capital de Shandong, Bo Xilai admitiu ter cometido "alguns erros", mas negou todas as acusações.

Até há menos de dois anos, Bo Xilai era um dos políticos mais populares da China e um forte candidato ao Comité Permanente do Politburo do PCC, a cúpula do poder, composta apenas por sete elementos.

Ex-ministro do Comércio e filho de um antigo vice-primeiro-ministro, Bo Xilai assumia-se como uma espécie de líder da chamada "nova esquerda", promovia o revivalismo em torno da Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76) e criticava as crescentes desigualdades sociais.

A condenação de Bo Xilai a prisão perpétua é a mais pesada sentença imposta a um ex-membro do Politburo do PCC em cerca de três décadas e foi considerado uma prova do prometido empenho da nova liderança chinesa em combater a corrupção.

O julgamento de Bo Xilai foi também considerado "o mais transparente" realizado no país, sendo saudado na imprensa oficial como "um grande passo em frente na institucionalização do primado da lei" e uma demonstração de que "ninguém está acima da lei".

Num gesto sem precedentes, o tribunal de Jinan recorreu ao Sina Weibo, o Twitter chinês, para relatar o que se passava na sala de audiências, incluindo algumas declarações do acusado.

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