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Trípoli autoriza Venezuela a criar uma comissão internacional de mediação

Trípoli autoriza Venezuela a criar uma comissão internacional de mediação

O Governo líbio autorizou a Venezuela a realizar as acções "necessárias" para criar uma comissão internacional de países que possa mediar o actual conflito no território líbio, medida apresentada esta semana pelo Presidente venezuelano, Hugo Chávez.

"Autorizamos [a Venezuela] a tomar todas as medidas necessárias para seleccionar os integrantes e coordenar a respectiva participação nesse diálogo", indicou o ministro dos Negócios Estrangeiros venezuelano, Nicolás Maduro, ao ler uma carta enviada pelo seu homólogo líbio, Mousa Kousa.

A proposta de mediação na crise líbia apresentada esta semana pelo Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e aceite pela Líbia vem na sequência de uma década de reforço dos laços diplomáticos entre os líderes de Caracas e Tripoli.

Há anos que Chávez e o líder líbio, Muammar Kadafi, intensificam uma cooperação bilateral, fomentando uma relação de amizade no campo político e económico.

A Venezuela é membro da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e Hugo Chávez partilha com Muammar Kadafi posições políticas antagónicas às dos Estados Unidos, que ambos acusam de conspirar para criar instabilidade.

Desde que Chávez assumiu o poder, em 1999, realizou seis visitas oficiais à Líbia, a primeira delas um ano depois de chegar à presidência.

Em 2004, foi condecorado com o Prémio Internacional de Direitos Humanos Kadafi, por resistir à influência do imperialismo norte-americano e por chefiar um governo que se diz defensor dos mais pobres.

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Durante essas visitas, ambos os Governos assinaram diversos acordos comerciais e energéticos, principalmente na área de extracção petrolífera, do gás, petroquímica e minas, tendo criado uma comissão mista bilateral para acompanhar a evolução dos mesmos, e ainda criado um fundo de financiamento para os projectos de cooperação, composto inicialmente por mil milhões de dólares (715 milhões de euros), em partes iguais.

Representantes de ambos os governos assinaram ainda um acordo de cooperação cultural, científica e educativa, com o aval líbio, que oferece bolsas de estudos a estudantes universitários. Os dois países comprometeram-se a fomentar o transporte marítimo entre ambos os países, a criar uma linha aérea civil com operações directas entre Caracas, Tripoli e a ilha venezuelana de Margarita.

A Venezuela e a Líbia cooperam ainda em matéria de produção de leite, cultivo de arroz e actividades piscatórias e agrícolas, nomeadamente no desenvolvimento de técnicas para melhorar o processamento de produtos marinhos, legumes, hortaliças e frutos.

A empresa estatal Telesul, sedeada em Caracas, assinou um memorando de entendimento com o Instituto Geral de Rádio e Televisão da Líbia para intercâmbio de material informativo e uso das instalações.

Em 2006, como gesto de gratidão, a Líbia baptizou com o nome de Hugo Chávez um estádio de futebol nas proximidades de Benghazi, pelas suas "valentes posições humanitárias" contra os ataques de Israel a Gaza.

Em Setembro de 2009, Kadafi visitou a ilha venezuelana de Margarita para participar na II Cimeira África/América do Sul, organizada por Chávez, durante a qual ambos apelaram à instituição de uma nova ordem económica, contrariando a hegemonia norte-americana.

Durante a visita, Kadafi foi condecorado por Chávez com o Colar da Ordem do Libertador e uma réplica da espada do libertador Simón Bolívar.

"Esta é a espada que libertou a América há 200 anos. É uma jóia. Foi oferecida pelos povos a [Simón] Bolívar. Está viva e na América Latina (...) levas no peito uma condecoração suprema. A ordem do Libertador, porque tu és um grande soldado, um grande líder bolivariano", disse Hugo Chávez a Muammar Kadhafi.

Nessa altura Chávez comparou Kadafi ao Libertador e sublinhou que "o que é Bolívar para nós, é Muammar Kadafi para o povo líbio".

Em finais de 2010 o presidente da Venezuela anunciou que cederia o seu gabinete a várias famílias afectadas pelo mau tempo que durante dois meses fustigou o país, e que se mudaria para uma tenda que lhe ofereceu o líder líbio.

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