Tensão

Tropas turcas lançam ofensiva no norte da Síria

Tropas turcas lançam ofensiva no norte da Síria

As tropas turcas invadiram o norte da Síria. A ofensiva poderá provocar um confronto direto com as forças curdas aliadas dos Estados Unidos, que dizem que os bombardeamentos de hoje já mataram dois civis.

A Turquia lançou esta quarta-feira uma terceira ofensiva na Síria, no nordeste do país, contra a milícia curda das Unidades de Proteção Popular (YPG), que considera um grupo "terrorista", mas que é apoiada pelos países ocidentais. "As Forças Armadas turcas e o Exército Livre da Síria [rebeldes sírios apoiados por Ancara] iniciaram a operação Fonte de Paz no norte da Síria", anunciou Erdogan no Twitter.

Segundo Erdogan, a operação visa "os terroristas das YPG e do Daesh" e tem como objetivo estabelecer uma "zona de segurança" livre de combatentes de milícias curda e que possa servir de abrigo para alguns dos 3,6 milhões de refugiados sírios a viver atualmente na Turquia.

Do outro lado, a coligação de combatentes árabes e curdos anunciou que os bombardeamentos turcos atingiram várias localidades e provocaram a morte a pelo menos dois civis. Houve "bombardeamentos intensivos de aviões turcos sobre posições militares e aldeias" em Tal Abiad, Ras al-Ain, Qamishli e Ain Issa, escreveram as Forças Democráticas Sírias no Twitter (fieis a Bashar Al-Assad), acrescentando depois que "dois civis morreram e outros dois foram feridos na vila de Misharrafa".

Também hoje, na Turquia, três mísseis disparados do norte da Síria atingiram as localidades turcas de Ceylanpinar e Nusaybin, próximas da fronteira, sem fazer vítimas, segundo a agência estatal Anadolu.

Donald Trump, que no domingo anunciou a retirada das tropas norte-americanas da região, assegurou que "não abandonou" os curdos, seus aliados, e ameaçou "destruir completamente a economia da Turquia" caso Ancara "ultrapasse os limites".

Enquanto os ocidentais enaltecem o papel das forças curdas no combate ao autoproclamado Estado Islâmico, Ancara considera-as uma ameaça à sua segurança devido aos laços ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), guerrilha ativa na Turquia desde 1984.