Canadá

Trudeau pondera invocar poderes de emergência para reprimir protestos

Trudeau pondera invocar poderes de emergência para reprimir protestos

O Governo do primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, ponderou esta segunda-feira invocar poderes de emergência para reprimir os protestos contra as restrições de combate à pandemia de covid-19 que paralisaram a capital e bloquearam passagens fronteiriças.

Trudeau reuniu-se virtualmente com os líderes das províncias do Canadá para debater a questão durante a manhã e irá dirigir-se ao país às 16.30 locais (21.30 em Lisboa).

Após a reunião, um alto responsável do executivo disse à AP, sob anonimato, que Trudeau decidiu invocar poderes de emergência em todo o país.

Há mais de duas semanas, centenas e, às vezes, milhares de manifestantes em camiões e outros veículos entupiram as ruas de Otava, a capital, contestando a vacinação obrigatória para camionistas e outras medidas de combate à pandemia adotadas pelo Governo liberal de Trudeau.

Membros da chamada "Freedom Convoy" ("Caravana da Liberdade", em tradução livre) bloquearam também vários postos fronteiriços entre o Canadá e os Estados Unidos, embora o mais importante e mais movimentado - a ponte Ambassador, que liga Windsor, Ontário, à cidade norte-americana de Detroit -- tenha sido reaberto no domingo, após intervenção da polícia, que deteve os últimos manifestantes e pôs fim ao cerco de quase uma semana que fez parar a indústria automóvel nos dois países, por falta de componentes.

Apesar do fim do bloqueio a esse eixo fronteiriço, a crise prosseguiu hoje no Canadá, levando o Ontário a anunciar o abandono da exigência de certificado de vacinação e Trudeau a equacionar acionar a lei sobre medidas de emergência.

Esta disposição pode ser invocada em caso de "crise nacional" e dá ao Governo federal mais poder para lhe pôr termo autorizando "temporariamente medidas extraordinárias".

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Sob pressão, o primeiro-ministro canadiano declarou na sexta-feira que "todas as opções estavam em cima da mesa" para acabar com as ocupações "ilegais" que estão a prejudicar o país e a sua economia.

A lei sobre medidas de emergência só foi utilizada uma vez em tempo de paz, pelo pai de Justin Trudeau, na crise de outubro de 1970. Na época, chamava-se "lei sobre as medidas de guerra".

O Governo de Pierre Elliott Trudeau invocou-a para enviar o exército ao Quebeque e tomar uma série de medidas de emergência, após o sequestro pela Frente de Libertação do Quebeque de um adido comercial britânico, James Richard Cross, e de um ministro do Quebeque, Pierre Laporte.

Cross foi libertado após negociações, mas o ministro foi encontrado morto na bagageira de uma viatura.

"Com esta lei, o Governo pode requisitar bens, serviços, pessoas. O Governo pode dizer às pessoas onde ir, onde não ir. Há realmente poucos limites para o que o Governo pode fazer", explicou Geneviève Tellier, professora de Estudos Políticos na Universidade de Otava.

Hoje, a polícia canadiana apreendeu armas e munições e deteve 11 pessoas no bloqueio fronteiriço de Coutts, em Alberta (oeste), ponto de passagem para os Estados Unidos paralisado há uma semana.

As autoridades confiscaram 13 armas de fogo, vários coletes à prova de bala e uma grande quantidade de munições.

O Governo da província canadiana de Ontário anunciou esta segunda-feira o levantamento a 1 de março da obrigação de prova de vacinação contra a covid-19, justificando que tal já "é seguro" e rejeitando estar a ceder aos protestos em curso.

O primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, disse que no dia 01 de março a província vai deixar cair a exigência de que as pessoas mostrem prova de vacinação para entrar em restaurantes, ginásios e eventos desportivos.

"Deixem-me ser muito claro: estamos a avançar nesta direção porque é seguro fazê-lo. O anúncio de hoje não é por causa do que está a acontecer em Otava ou Windsor", disse Ford.

A província, a mais populosa do Canadá, também vai levantar o seu limite de 50% de capacidade em restaurantes a partir desta quinta-feira, quatro dias antes do previsto.

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