EUA

Trump autoriza exploração de petróleo no refúgio de vida selvagem do Alasca

Trump autoriza exploração de petróleo no refúgio de vida selvagem do Alasca

O governo de Donald Trump decidiu abrir o Refúgio Nacional da Vida Selvagem do Ártico, no Alasca, EUA, aos exploradores de petróleo e gás.

Segundo o La Vanguardia, o Escritório de Administração de Terras dos EUA vai oferecer arrendamentos na planície costeira de cerca de 1600 km2. Uma área que inclui florestas antigas, zonas de caça de subsistência para comunidades nativas do Alasca, o habitat de ursos polares ameaçados, rios onde há salmão e grande diversidade de vida selvagem. A medida afeta ainda áreas até então protegidas, como a Floresta Nacional de Tongass e o Refúgio Nacional da Vida Selvagem do Ártico.

A Câmara dos Representantes dos EUA, controlada pelos democratas, aprovou uma legislação para proteger aquela área, mas os republicanos, que têm maioria no Senado, dificilmente irão aprovar o projeto de lei.

"O governo escolheu a alternativa de 'leasing' mais agressiva, sem a intenção de fazer restrições ou proteção significativa da área", disse o diretor da organização sem fins lucrativos Alaska Wilderness League, Adam Kolton, citado pelo Vanguardia. "Com o objetivo de desenvolver toda a frágil planície costeira, o governo passa por cima da ciência, silenciando quem discorda e excluindo comunidades indígenas inteiras".

Essa área "sensível ao ambiente" do Ártico foi protegida e não podia ser perfurada até que o Congresso alterou uma lei tributária de 2017, que Kolton considera ser uma "farsa de voto".

O Escritório de Administração de Terras publicou na quinta-feira a declaração final do impacto ambiental do projeto e garantiu que o objetivo é começar a conceder arrendamentos ainda este ano. Este escritório estima que o petróleo que pode ser extraído e queimado nessa área produziria entre 0,7 e 5 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono na atmosfera a cada ano. Isso equivale a aproximadamente um milhão de carros a circular nas estradas anualmente.

Por outro lado, o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA afirmou em comunicado que aquele escritório subestima o impacto climático dos arrendamentos para a exploração de petróleo, ao sugerir que o aquecimento global é um ciclo natural e não uma consequência da ação humana.