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Trump avisa Cameron que não será um parceiro fácil

Trump avisa Cameron que não será um parceiro fácil

O quase certo candidato republicano nas presidenciais dos EUA disse ao canal britânico ITV que, se for eleito, não antevê um bom relacionamento com o governo de David Cameron.

"Parece que não vamos ter uma relação muito boa. Quem sabe. Eu espero ter um bom relacionamento com ele, mas parece-me que ele não tem vontade de resolver o problema".

Em causa está a reação de David Cameron à proposta do agora praticamente candidato republicano - a hipótese de surgir um candidato independente parece cada vez mais reduzida - às eleições presidenciais nos EUA em novembro. Na sequência de um ataque em San Bernardino, EUA, Donal Trump dissera querer interditar a entrada de muçulmanos em território norte-americano, ideia que o primeiro-ministro britânico classificara de "motivo de discórdia estúpido, irrisório e equivocado", apelando a Grã-Bretanha a mobilizar-se em reação ao magnata. "Temos um problema enorme com a ameaça do islamismo radical", reafirmou Trump esta segunda-feira, em entrevista ao canal britânico ITV. "O mundo está a explodir e não são os suecos que fazem estragos, certo? Portanto, temos um problema verdadeiro".

O milionário aproveitou a antena para apontar também baterias ao novo presidente da câmara de Londres, o primeiro muçulmano a chegar à frente de uma capital ocidental. Após a eleição, Trump dissera que abriria uma exceção para Sadiq Kahn, que autorizaria a entrar nos EUA. Ao que o maior londrino respondeu que Trump era um ignorante e não percebia nada do Islão. "Feio", reagiu o magnata. "Ele não me conhece. Creio que foram comentários muito grosseiros. Sinceramente digam-lhe que não vou esquecer estas declarações (...) muito desagradáveis. Ele é que não conhece nada".

E seguiu entrevista adiante dizendo que os migrantes eram "uma coisa horrível para a Europa", mas que eram resultado dela própria, a Europa, sem a qual, entende, os britânicos estariam "melhor". "De que vos pode servir?" uma Europa burocrática e difícil, questiona Trump, garantindo não querer, com isto, influenciar qualquer escolha.

Ao contrário do que o atual presidente dos EUA, Barack Obama, foi a Londres dizer há umas semanas - em caso de saída da União Europeia (Brexit), o Reino Unido não teria preferência nas relações com os EUA, porque à frente estava a Europa - Donald Trump garantiu que, sendo eleito, os britânicos não ficariam no fim da fila dos acordos comerciais. E prometeu igualdade de tratamento.

O referendo ao Brexit está marcado para 23 de junho, com as sondagens a apontarem um empate entre o sim e o não (defendido por Cameron).