Estado da União

Trump promete mais 800 quilómetros de muro, Nancy Pelosi rasga o discurso

Trump promete mais 800 quilómetros de muro, Nancy Pelosi rasga o discurso

O presidente dos Estados Unidos garantiu, na terça-feira, no seu terceiro discurso anual do Estado da Nação, que no início do próximo ano o muro na fronteira com o México terá mais de 800 quilómetros construídos.

Já foram concluídos mais de 165 quilómetros de muro e "haverá mais" 805 quilómetros construídos "no início do próximo ano", declarou Donald Trump sobre o projeto de combate à entrada de imigrantes ilegais pela fronteira sul dos Estados Unidos.

Por outro lado, o chefe de Estado norte-americano disse apoiar "as esperanças" de cubanos, nicaraguenses e venezuelanos "para restaurar a democracia" nos seus países.

"À medida que restauramos a liderança dos Estados Unidos no mundo, continuamos a apoiar a liberdade no nosso hemisfério. É por isso que a meu Governo revogou as políticas falidas da administração anterior sobre Cuba. Estamos a apoiar as esperanças de cubanos, nicaraguenses e venezuelanos para restaurar a democracia", sublinhou.

No mesmo discurso, Trump aproveitou para prestar homenagem ao líder opositor da Venezuela Juan Guaidó, presente no Capitólio, prometendo "esmagar a tirania" do regime de Nicolás Maduro. "Maduro é um dirigente ilegítimo, um tirano que trata o seu povo com brutalidade. Mas o seu mandato de tirania será esmagado e destruído", declarou.

"Connosco na galeria está o presidente legítimo da Venezuela Juan Guaidó. Todos os norte-americanos estão unidos com o povo venezuelano na justa luta pela liberdade", declarou.

Guaidó é reconhecido como presidente interino por mais de 50 nações, incluindo Portugal, depois de o líder da oposição se ter autoproclamado presidente interino da Venezuela em 23 de janeiro de 2019.

Nada sobre destituição, garantias sobre novo coronavírus

Donald Trump garantiu que vai tomar todas as medidas necessárias para proteger a população do país do surto do novo coronavírus, que surgiu em dezembro na China, revelando que estava a cooperar com Pequim para conter a propagação da doença.

"Proteger a saúde dos norte-americanos também significa combater as doenças contagiosas. Estamos a cooperar com o Governo chinês e a trabalhar estreitamente em relação ao surto do novo coronavírus na China", afirmou.

"O meu Governo dará todos os passos necessários para proteger os nossos cidadãos desta ameaça", acrescentou Trump.

A Casa Branca proibiu temporariamente a entrada no país de estrangeiros que tenham visita a China nos últimos 14 dias e anunciou uma quarentena obrigatória de duas semanas para os norte-americanos que tenham estado na província chinesa de Hubei, no centro da China, e onde foi detetado em dezembro passado o novo coronavírus (2019-nCoV).

Os norte-americanos que tenham visitado outras zonas da China nas últimas duas semanas deverão ser submetidos a exames médicos nos sete únicos aeroportos dos Estados Unidos que ainda recebem voos do país asiático. Estes viajantes podem também ter de ficar em quarentena de 14 dias, em casa, para garantir que não foram contaminados.

A China elevou para 490 mortos e mais de 24.300 infetados o balanço do surto de pneumonia provocado por um novo coronavírus (2019-nCoV) detetado em dezembro passado, em Wuhan, capital da província de Hubei, colocada sob quarentena.

"Anos de decadência económica terminaram"

"Os anos de decadência económica terminaram. Os dias daqueles que usavam o nosso país, aproveitavam-se dele, estando até desacreditado junto de outras nações, ficaram para trás", declarou Donald Trump, num discurso recheado de críticas à administração de Barack Obama (2009-2017), que não mencionou, e que deixou entusiasmados republicanos, mas não democratas.

Para Trump, se "as políticas económicas falidas do Governo anterior" não tivessem sido revertidas, "o mundo agora não estava a ver esse grande êxito económico", com criação de emprego, descida de impostos e de luta "por acordos comerciais justos e recíprocos".

"A nossa agenda é implacavelmente pró-trabalhadores, pró-família, pró-crescimento e, sobretudo, pró-Estados Unidos", sublinhou o chefe de Estado norte-americano, acrescentando ter dado início, há três anos, "ao grande regresso" do país.

"Inacreditavelmente, a taxa média de desemprego durante o meu Governo é menor do que durante qualquer outra administração na história do nosso país", afirmou Trump.

Sobre o comércio, um dos pilares da administração Trump, o presidente dos Estados Unidos afirmou ter prometido aos cidadãos norte-americanos que ia impor "taxas alfandegárias à China para resolver o roubo maciço de empregos", proclamando: "A nossa estratégia funcionou".

Mão estendida e discurso rasgado

Em manifestação da oposição ao presidente norte-americano, Nancy Pelosi, presidente democrata da Câmara dos representantes, rasgou a cópia do discurso de Trump do Estado da União. "Foi um manifesto de inverdades", justificou.

Antes, no encontro institucional anual perante os membros da Câmara dos Representantes e do Senado, ocorreu um outro momento de tensão e que resume a divisão da classe política norte-americana, quando Donald Trump evitou a mão estendida de Nancy Pelosi.

No discurso do Estado da União, Trump não se pronunciou sobre o processo de destituição em curso, no qual é acusado de ter tentado pressionar o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, para que investigasse a atividade da família de Joe Biden, rival político do líder norte-americano, junto de uma empresa ucraniana envolvida num caso de corrupção.

O Senado dos EUA vota esta quarta-feira o veredicto do julgamento político do presidente, sendo previsível que a maioria republicana aprove a sua absolvição pelas acusações de abuso de poder e de obstrução ao Congresso.

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