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Trump terá contaminado quantas pessoas antes de saber que tinha covid?

Trump terá contaminado quantas pessoas antes de saber que tinha covid?

Na semana anterior a ter testado positivo, o presidente norte-americano manteve vários encontros na Casa Branca sem distanciamento social e realizou comícios com pessoas amontoadas, também sem proteção. Nunca foi visto a usar máscara.

"Eu não uso máscaras como ele" - foi só (mais) uma frase infeliz das muitas que Donald Trump inanemente proferiu durante o primeiro debate com Joe Biden para as presidenciais americanas, na noite de 29 de setembro, no qual se lhe contabilizaram, segundo a CNN, "uma avalancha de mentiras" ou inexatidões proferidas sobre, "pelo menos, 26 assuntos".

Mas, agora que o presidente Trump acusou positivo na infeção por covid-19, a doença respiratória aguda provocada pelo novo coronavírus, a frase ganhou o peso da ironia assassina. Foi isto que disse o presidente republicano sobre o seu concorrente democrata Biden nesse debate que foi visto por 73 milhões de americanos: "Eu não uso máscaras como ele. Sempre que alguém o vê, ele está de máscara! Ele pode estar a falar a 60 metros de distância que aparece com a maior máscara que eu já vi", gozou Trump, visivelmente satisfeito com a sua bravata, a alardear uma valentia que lhe terá custado a infeção.

O uso de máscara é, confirmaram há muitos meses as diretivas da Organização Mundial de Saúde, uma das medidas preventivas de etiqueta social mais seguras, assim como o distanciamento físico e a lavagem frequente das mãos, para evitar a disseminação de contágios por covid-19.

Reconhecido por ignorar - e mesmo por desincentivar - o uso de máscara, comportamento que é mimetizado pela maioria dos seus apoiantes e seguidores, o presidente Trump e a sua mulher, a primeira-dama Melania, foram contaminados pela doença e cumprem já a necessária quarentena de isolamento.

Semana muito ativa e sempre sem proteção
Mas, agora que Trump testou positivo, os inúmeros encontros que manteve no exercício de funções e as diversas ações de campanha que realizou na semana anterior ao teste fatal ganham especial importância e gravidade - porque o presidente não guardou, vê-se nas fotos desses eventos, a distância social necessária. Mais: nunca foi visto a usar uma máscara, medida que o impediria de contaminar outras pessoas no caso de já estar infetado.

Olhemos agora para trás para a semana do presidente norte-americano.

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No sábado, 26 de setembro, recebeu e aplaudiu na Casa Branca a sua nomeada para o Supremo Tribunal, a juíza conservadora Amy Barrett, que espera ser confirmada pelo Senado (de maioria republicana) e ocupar o seu lugar ainda antes das eleições, que são a 3 de novembro. A receção foi na Sala Oval e antes do evento houve reuniões com senadores e altos funcionários da administração. Trump, como todos os outros que lá estiveram, não usou proteção facial.

Nesse mesmo dia 26, à noite, liderou um comício em Middletown, na Pensilvânia, onde muitos dos seus partidários, sem distância social, também não possuíam máscaras.

No domingo 27 de setembro deu uma conferência de imprensa na Casa Branca; os repórteres e fotógrafos presentes tinham máscaras, sem exceção, mas Donald Trump não.

Na segunda-feira 28 de setembro, no jardim sul da Casa Branca, acolheu um evento de promoção à nova pickup elétrica de fabrico americano Lordstown Motors Endurance 2021, com dezenas de pessoas presentes.

Na terça-feira, dia do infame debate das presidenciais em que gozou com Joe Biden por o democrata andar sempre de máscara - os dois estiveram sempre distanciados, não se cumprimentaram e Biden já se testou e deu negativo -, foi visto a sair da Casa Branca, juntamente com Melania, sem proteção na cara, passando por um grupo de apoiantes mascarados.

Já no local do debate, em Cleveland, Ohio, outro pormenor saltou à vista: os seus filhos Don, Eric, Ivanka e Tiffany chegaram de máscara, tiraram fotos que publicaram nas redes sociais, mas mal o debate começou removeram as proteções e assim ficaram durante os 90 minutos do encontro, como, de resto, também fez Melania.

Bonés a voar das suas mãos: estariam contaminados?
Na quarta-feira seguinte, 30 de setembro, à tarde contactou, sem máscara, claro, com jornalistas (mascarados, evidentemente), e à noite realizou novo comício com centenas de pessoas na cidade de Duluth, no estado de Minnesota.

Este ajuntamento decorreu no hangar de um aeroporto, com público sentado em grande proximidade e sem uma única máscara à vista. As fotos desse comício ficaram agora tristemente famosas: à chegada, Trump trazia nas mãos vários bonés com o seu slogan de campanha "Make America Great Again" e atirou-os para o público, que se atropelava para os apanhar no ar. Com muita probabilidade, o presidente já estaria, nesta altura, infetado e pode ter semeado ali, com esse gesto, vários focos de novas infeções.

Na quinta-feira, 1 de outubro, participou numa campanha para arrecadar fundos na sua propriedade Trump National Golf Club Bedminster, em Morristown, Nova Jérsia, e à noite fez saber, através do Twitter, que estava contaminado com covid-19.

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