Crise

Trump rasga acordo nuclear com o Irão, "regime de grande terror"

Trump rasga acordo nuclear com o Irão, "regime de grande terror"

Donald Trump confirmou o que já era esperado: os EUA vão rasgar o acordo nuclear assinado por Barack Obama com o Irão, classificando o país como um "regime de grande terror".

Donald Trump já teria avisado o presidente francês, Emmanuel Macron, de que iria denunciar o acordo nuclear, adiantou o "The New York Times".

"Hoje anuncio que os Estados Unidos se retiram do acordo nuclear com o Irão", disse Trump numa declaração à imprensa na Casa Branca, acrescentando que os Estados Unidos da América "voltarão a impor sanções económicas ao mais alto nível". Trump afirmou que tem "a prova" de que o Irão mentiu sobre o seu programa nuclear, classificando aquele país como "um regime de grande terror".

"Dentro de alguns instantes, vou assinar uma ordem presidencial para que se restabeleçam as sanções americanas ligadas ao programa nuclear do regime iraniano", informou, advertindo que "qualquer país que venha a ajudar o Irão neste caso das armas nucleares poderá também ser fortemente sancionado pelos Estados Unidos".

Trump sustentou que o Irão merece um "Governo melhor" e que o futuro daquele país "pertence à sua população", assegurando, ao mesmo tempo, estar disponível para discutir uma solução "bem mais alargada".

"A América não será refém de acordos", sustentou o presidente dos EUA, acrescentando que este anúncio "manda uma mensagem a todos de que a América não faz ameaças vãs". Sublinhou que não permitirá que "um regime que tem cânticos de 'Morte à América' tenha acesso a armas nucleares".

Segundo o presidente norte-americano, se os Estados Unidos permitissem a manutenção do acordo, brevemente existiria uma corrida ao armamento nuclear". Trump referiu também que "nenhuma outra ação tomada pelo regime [iraniano] tem sido mais perigosa do que a sua demanda pelas armas nucleares e capacidade para as fornecer".

O acordo foi concluído em julho de 2015 entre o Irão e o grupo 5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU -- EUA, Rússia, China, França e Reino Unido -- e a Alemanha) e visa, em troca de um levantamento progressivo das sanções internacionais, assegurar que o Irão não desenvolve armas nucleares. Conseguido depois de 21 meses de duras negociações, o acordo foi assinado, por parte dos Estados Unidos, pelo antecessor de Trump, Barack Obama.

Emmanuel Macron, a chanceler alemã, Angela Merkel, e a primeira-ministra britânica, Theresa May, vão agora analisar em conjunto a decisão de Trump, mas Macron já disse lamentar a decisão.

Irão mantém-se no acordo, mas com condição

O presidente iraniano, Hassan Rohani, anunciou que o Irão "vai manter-se" no acordo nuclear de 2015 após a retirada dos EUA, caso os seus interesses sejam garantidos, e tomará decisões posteriores em caso contrário. "Devemos ser pacientes para ver como os outros países reagem", disse Rohani num discurso, numa alusão às restantes potências que assinaram o acordo nuclear, e sugerindo que pretende discutir com europeus, russos e chineses.

Médio Oriente e Coreias atentos

A decisão é acompanhada com particular atenção no Médio Oriente, onde aumentam os receios de uma escalada com a República islâmica, mas também do outro lado do planeta, na Coreia do Norte, e quando se aproxima a cimeira entre Donald Trump e Kim Jong-un sobre a desnuclearização da península.

Signatários europeus reiteram apoio a acordo "histórico"

Todos os restantes signatários continuam a defender um compromisso definido como "histórico", ao sublinharem que a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) tem confirmado regularmente o respeito por Teerão dos termos do texto destinado a garantir o caráter não militar do seu programa nuclear.

Hoje, responsáveis oficiais da França, Reino Unido e Alemanha, os três países europeus envolvidos nas negociações, reuniram-se em Bruxelas com o vice-ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros responsável pelos Assuntos políticos, Abbas Araghchi, para manifestar o seu apoio ao acordo. Em declaração conjunta, os europeus referiam que "utilizaram esta oportunidade para reiterar o seu apoio à implementação total e efetiva do [acordo] por todas as partes".