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Trump visto pelo ex-advogado: "Racista, mentiroso, vigarista e predador"

Trump visto pelo ex-advogado: "Racista, mentiroso, vigarista e predador"

Michael Cohen diz ser a pessoa à face da terra que melhor conhece Donald Trump. O ex-advogado do presidente dos EUA faz um retrato demolidor do homem que comanda a maior potência económica do Mundo.

"Em muitos aspetos, conhecia-o melhor do que a própria família, porque vi quem era o homem na verdade", escreve Michael Cohen. Em livro, escrito na cadeia, diz que Donald Trump é um rufia, vigarista, predador, mentiroso e racista.

"Era a primeira chamada que fazia de manhã e a última da noite", diz Cohen, no avanço do livro "Desleal: a verdadeira história do antigo advogado do presidente Donald J Trump", anunciado no Twitter pelo ex-advogado do presidente dos EUA.

A obra, que deve chegar às bancas em setembro, antes das eleições presidenciais de 3 de novembro, nas quais Donald Trump concorre a um segundo mandato, foi escrita na cela da prisão federal do norte do Estado de Nova Iorque, onde Cohen cumpriu parte de uma pena de três anos por fraude, evasão fiscal, falsas declarações e mentir ao congresso.

Libertado em maio, por receio de ser contaminado com o novo coronavírus, Cohen voltou a ser detido em julho, depois de publicar um tweet a dizer que tinha o livro praticamente pronto.

A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, na sigla original), uma ONG norte-americana cuja missão é "defender e preservar os direitos e liberdades individuais", apresentou um processo em tribunal a defender Cohen, considerando que estava a ser vítima de retaliação.

Ganhou o processo e, depois, o Departamento de Justiça deixou cair uma "ordem de mordaça", emitida para evitar a publicação do livro, que está agora em pré-venda, anunciou Cohen, quinta-feira à noite, no Twitter.

"O meu desejo insaciável de agradar a Trump para ganhar poder, o erro fatal que me levou à ruína, foi uma pechincha de Fausto: era capaz de tudo para acumular, enriquecer, manter, exercer e explorar o poder. Neste aspeto, Donald Trump e eu éramos muito parecidos... Almas gémeas", escreve Cohen.

No livro, o ex-advogado de Trump recorda a viagem de Nova Iorque para Washington, quando foi testemunhar no Congresso durante a investigação à alegada ingerência da Rússia na eleição de Donald Trump, em 2016.

Foi de carro, receando um ataque caso viajasse de avião ou comboio, e disfarçado. "Tinha óculos escuros, boné de beisebol, e conduzi evitando contacto visual com outros condutores", acrescentou.

Cohen recorda o que havia dito perante o congresso, em 2019, quando testemunhou contra Trump. O ex-advogado diz que o atual presidente dos EUA estava a par do encontro entre membros da campanha e um advogado russo com ligações ao Kremlin, destinada a receber informações penalizadoras para a candidata democrata às eleições presidenciais de 2016, a ex-primeira dama dos EUA, Hillary Clinton.

"Nestes dias perigosos, vi o partido republicano e os seguidores de Trump a ameaçarem a constituição - o que é um perigo bem maior do que o comummente entendido - seguindo um dos piores impulsos da humanidade: o desejo de poder a todo o custo", escreve Cohen no avanço do livro.

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