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Covid-19

Turismo de vacinação leva milionários ao Dubai e à Índia para serem inoculados

Turismo de vacinação leva milionários ao Dubai e à Índia para serem inoculados

Um clube exclusivo de viagens e "lifestyle", sediado no Reino Unido, está a levar os seus membros aos Emirados Árabes Unidos e à Índia para serem vacinados contra a covid-19.

O serviço foi revelado pela própria companhia, a Knightsbridge Circle, a uma reportagem do diário britânico "The Telegraph", que avança com a notícia. Cerca de 40% dos membros daquele clube exclusivo, que cobra uma verba anual de 25 mil libras (cerca de 28 mil euros) aos seus membros, residem no Reino Unido, mas muitos possuem vários passaportes e várias residências por todo o mundo. "

"É muito emocionante dizer que podemos oferecer a vacina agora", disse o fundador daquele serviço de concierge, Stuart McNeill, àquele jornal. "Temos sido proativos em oferecê-lo a todos os nossos membros", acrescenta.

Segundo o responsável, as vacinações estão bem encaminhadas, com membros do Reino Unido e do exterior a voar para férias de vacinação, nas últimas semanas, muitos deles usando aviões a jato particulares. "É como se fôssemos os pioneiros deste novo programa de viagens de vacinação de luxo", sublinha. Muitos desses membros voaram sob os benefícios de viagens de negócios ou de educação, admitiu, recordando que muitos dos seus sócios têm reuniões de negócios nos Emirados Árabes Unidos (EAU).

Também Marrocos poderá entrar nas rotas disponíveis, substituindo a Índia devido às dificuldades na obtenção de visto para viajar. O responsável pelo Knightsbridge Circle revelou estar em conversações com médicos que pretendem estabelecer clínicas em Marrakesh para a inoculação. O serviço de concierge reserva aos seus clientes uma casa com piscina, chefe de cozinha e empregadas de limpeza, para o período em que terão de estar fora para poderem receber as duas doses da vacina contra a covid-19.

"Algumas pessoas ficam na Índia aqueles dias todos e outras preferem voar, tomar a primeira dose, voar de volta para Madagáscar e voltarem mais tarde para a segunda dose", conta McNeill.

O custo estimado do serviço é de cerca de 40 mil libras (cerca de 45 mil euros) para uma viagem de um mês para Dubai, com voos de primeira classe da Emirates, acomodação num apartamento com vista para o mar na praia de Jumeirah, vacinação e adesão para duas pessoas. O custo da vacina está incluído na taxa de adesão.

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Ninguém com menos de 65 anos foi vacinado através do clube, segundo McNeill, que alega a "responsabilidade moral de assegurar que as pessoas que realmente precisam [da vacina] a estão a receber". Pais e avós dos seus membros também podem ser inoculados.

Numa altura em que se debate a ética da vacinação privada, McNeill defende o seu serviço. "Penso que toda a gente que tem acesso à saúde privada [deve poder vacinar-se], desde que ofereçamos isso às pessoas certas. São vidas salvas", advoga. "Temos um cliente cujos pais estão no Paquistão e não têm o benefício do serviço nacional de saúde", exemplifica.

O clube está pensar abrir uma filial no Mónaco antes do verão para saciar a procura. "Queremos [aceitar membros] a cujas vidas possamos acrescentar valor ao longo dos próximos cinco ou dez anos", sublinha.

Ao mesmo tempo, no Reino Unido, os médicos particulares aguardam a luz verde do governo para começar a administrar a vacina. "Estou a cruzar os dedos para que Boris nos permita fazer isso", diz McNeill, que tem uma clínica em Harley Street pronta para vacinar seus membros assim que for legal, diz o "The Telegraph".

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