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Turistas compram certificados falsos de testes à covid-19 para viajar

Turistas compram certificados falsos de testes à covid-19 para viajar

Com tantos países a requererem à sua entrada um teste recente à covid-19 com resultado negativo, as opções no mercado negro não tardaram a surgir. A prática de forjar resultados ou de adquirir testes negativos falsificados para poder viajar tem sido recentemente detetada em diferentes destinos à volta do mundo como na França, no Reino Unido e no Brasil.

Ainda na semana passada, as autoridades francesas desmantelaram uma rede que se dedicava ao tráfico de certificados de testes ao novo coronavírus e que atuava no aeroporto internacional Charles de Gaulle, em Paris. Os documentos falsos eram vendidos a passageiros no aeroporto. Segundo a "Associated Press", a rede cobrava entre 150 euros e 300 euros pelos certificados com resultado negativo.

Os suspeitos, seis homens e uma mulher, foram acusados de falsificação, de uso de documentos falsos e de cumplicidade em fraude e podem ser condenados até cinco anos de prisão e enfrentar multas até 375 mil euros. Tinham um negócio não licenciado de embalar bagagem e voltaram-se para a falsificação dos comprovativos de diagnóstico à covid-19 perante a quebra de passageiros nos aeroportos devido à pandemia, segundo a agência de notícias AFP. Tinham mais de 200 certificados falsificados nos seus telemóveis.

Os documentos falsos tinham o nome de um laboratório real e eram vendidos em formato digital ou em papel. A investigação à rede começou em setembro, depois de um passageiro que ia embarcar num avião com destino à capital da Etiópia ter sido descoberto com um comprovativo de teste negativo falso, adquirido no aeroporto.

Também no Brasil, a polícia deteve quatro turistas brasileiros por falsificarem testes à covid-19 para poderem visitar a ilha de Fernando Noronha, num jato particular. A ilha abriu aos turistas a 10 de outubro, mas para nela entrar é preciso fazer o rastreio ao novo coronavírus pelo menos 24 horas antes do embarque. Os dois casais forjaram a data dos testes que tinham feito antes para poderem entrar na ilha, mas foram apanhados. Estão indiciados pelos crimes de falsificação de documento, uso de documento falsificado e associação criminosa.

A prática também já chegou a Inglaterra. O jornal local britânico "The Lancashire Telegraph" relata casos de falsificação de certificados de testes, a partir de documentos de outros amigos ou até por agentes de viagens, para se poder viajar para o Paquistão. Na cidade de Bradford, algumas pessoas chegam a pagar 150 libras (cerca de 170 euros) por um comprovativo falso para fazerem uma viagem de última hora, enquanto que em Blackburn cobram 50 libras (56 euros).

Com o avanço da pandemia, os protocolos dos resultados de teste para se viajar estão, porém, também a tornar-se cada vez mais tecnológicos, dificultando as hipóteses de um turista viajar com um certificado falso. No Havai, nos EUA, por exemplo, os visitantes têm previamente que se inscrever num programa online de teste à covid-19, recorrer a um laboratório parceiro aprovado e carregar os resultados do diagnóstico num portal, não sendo aceites cópias em papel, explica o "The Washington Post".

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Para se entrar em Portugal, apenas é exigido um comprovativo de teste à covid-9 com resultado negativo a todos os passageiros que viajem de países fora da União Europeia e fora do espaço Schengen, realizado nas últimas 72 horas antes do embarque.

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