Migrações

Turquia mantém fronteiras abertas até receber resposta concreta da UE

Turquia mantém fronteiras abertas até receber resposta concreta da UE

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse esta quarta-feira que a Turquia manteria as suas fronteiras com a Europa abertas para deixar os migrantes passarem, até que obtenha uma resposta "concreta" da União Europeia às suas exigências.

"Manteremos as medidas atualmente em vigor na fronteira até que as demanda da Turquia (...) recebam uma resposta concreta", disse Erdogan durante um discurso em Ancara.

O chefe de Estado turco mencionou a retomada das discussões sobre a isenção de visto para os nacionais turcos que desejam ir para a Europa, a abertura de novos capítulos no processo de adesão de Ancara à União Europeia (UE) modernização da união aduaneira e assistência financeira adicional.

"Não imploramos a ninguém. Tudo o que queremos é que as promessas feitas ao nosso país sejam cumpridas", disse Erdogan.

Na terça-feira, o presidente turco havia indicado que esperava avançar nessas questões antes de uma cimeira do Conselho Europeu a ser realizada em 26 de março.

Erdogan também disse que receberia a chanceler alemã, Angela Merkel, e o chefe de Estado francês, Emmanuel Macron, em 17 de março em Istambul, mas a presidência francesa não confirmou essa reunião.

As declarações do Presidente turco vieram dois dias depois de uma viagem a Bruxelas, na qual Erdogan se encontrou com altas autoridades europeias para discutir a questão dos migrantes.

A Turquia anunciou no final de fevereiro a abertura das suas fronteiras com a Europa, causando o fluxo de milhares de migrantes para a fronteira grega e despertando na Europa a memória da crise migratória de 2015.

Esta quarta-feira, o presidente turco atacou violentamente as autoridades gregas por usarem gás lacrimogéneo e canhões de água para repelir os migrantes na fronteira com turco-grega.

"Não há diferença entre o que os nazis faziam e as imagens que chegaram da fronteira grega", disse Erdogan, também descrevendo as autoridades gregas como "bárbaros" e "fascistas".

A UE acusou Erdogan de "chantagear" os migrantes, exortando-o a respeitar os compromissos decorrentes de um acordo UE-Turquia celebrado em março de 2016, que prevê a permanência de migrantes na Turquia, em especial em troca de um ajuda financeira europeia.

Mas Ancara acusou a UE de não ter cumprido todas as promessas previstas neste acordo e sustenta que é necessário "atualizá-lo" devido aos últimos desenvolvimentos na Síria, em particular na província de Idlib (noroeste).

Nesta região fronteiriça da Turquia, quase um milhão de pessoas foram deslocadas pela violência desde dezembro.

Ancara, que já abriga cerca de 3,6 milhões de sírios em seu território, teme um novo fluxo de refugiados.

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