Homicídio

Turquia vai fechar "dossiê Khashoggi" e enviá-lo para Arábia Saudita

Turquia vai fechar "dossiê Khashoggi" e enviá-lo para Arábia Saudita

A procuradoria judicial de Istambul pediu para "fechar o dossiê" do caso de Jamal Khashoggi, um jornalista saudita assassinado na Turquia em 2018, para que possa ser transferido para a Arábia Saudita, informou, esta quinta-feira, a imprensa turca.

De acordo com a agência de notícias privada DHA, o procurador argumentou que "o caso está a arrastar-se porque as ordens judiciais não podem ser cumpridas, já que os réus são estrangeiros".

O pedido de transferência do processo foi confirmado pela noiva de Khashoggi, numa mensagem divulgada na rede social Twitter. "Durante a audiência de hoje (...), o procurador solicitou, respondendo a um pedido saudita, a transferência do processo para a Arábia Saudita e, [consequentemente] o seu fecho na Turquia", indicou Hatice Cengiz no Twitter.

O julgamento de 26 cidadãos sauditas acusados pela Turquia de assassinar Jamal Khashoggi começou em julho de 2020, na ausência dos réus. A próxima audiência está marcada para 7 de abril.

O assassinato de Khashoggi, morto e esquartejado no consulado saudita em Istambul, envenenou as relações entre as duas potências regionais sunitas. Mas Ancara, que está a viver uma forte crise económica e regista a inflação mais alta dos últimos 20 anos, tem tentado, há vários meses, uma reaproximação a Riade.

O jornalista saudita, de 59 anos, crítico do poder da família real saudita e colaborador do jornal norte-americano The Washington Post, foi assassinado e o seu corpo esquartejado em 2 de outubro de 2018, dentro do consulado da Arábia Saudita em Istambul, onde teria ido para obter um documento, segundo a Turquia. Os seus restos mortais nunca foram encontrados.

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O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, anunciou uma visita iminente à Arábia Saudita no início de janeiro - o que não aconteceu até agora.

Tendo multiplicado, durante vários meses, as iniciativas para renovar os laços com várias potências regionais, Erdogan declarou, no início de dezembro, que queria desenvolver as relações de Ancara com os países do Golfo, "sem distinção".

As relações entre Ancara e Riade deterioraram-se em 2017 durante um bloqueio ao Catar, aliado próximo da Turquia, decretado pela Arábia Saudita e seguido pelos Emirados Árabes Unidos.

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