Negociações

TV do Irão revela acordos para troca de prisioneiros, EUA negam

TV do Irão revela acordos para troca de prisioneiros, EUA negam

A televisão estatal iraniana anunciou que foram feitos acordos para libertar prisioneiros com ligações ocidentais em troca de milhões de dólares dos Estados Unidos e Reino Unido, uma negociação que, pelo menos, os EUA já negaram.

A reportagem estatal da TV citou um oficial anónimo no momento em que o líder supremo, Ali Khamenei, começou a fazer o que as autoridades descreveram como um discurso "importante".

O funcionário disse que foi feito um acordo entre os Estados Unidos e Teerão que resultará numa troca de prisioneiros em troca sete mil milhões dólares de fundos iranianos congelados.

"Os americanos aceitaram pagar sete mil milhões de dólares e trocar quatro iranianos que estavam a contornar as sanções por quatro espiões americanos que cumpriram parte das suas sentenças", disse a TV estatal, citando o oficial.

Teerão mantém quatro norte-americanos detidos, entre eles estão Baquer e Siamak Namazi, o ambientalista Morad Tahbaz e o empresário iraniano-americano Emad Shargi.

A reportagem da TV estatal não nomeou imediatamente os iranianos que Teerão esperava receber na troca.

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A TV estatal também citou o funcionário dizendo que foi fechado um acordo para o Reino Unido pagar 400 milhões de libras para ver a libertação da cidadã com dupla nacionalidade iraniana-britânica Nazanin Zaghari-Ratcliffe.

O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Ned Price, já negou qualquer acordo: "As declarações de que um acordo de troca de prisioneiros foi alcançado não são verdadeiras".

"Como temos dito, [nas conversas diplomáticas] abordamos sempre os casos de americanos detidos ou desaparecidos no Irão. Não vamos parar enquanto não conseguirmos reuni-los com as suas famílias", acrescentou.

O gabinete do primeiro-ministro Boris Johnson remeteu qualquer esclarecimento para o Ministério das Relações Exteriores, que não puderam ser contactados, refere a Associated Press.

Na semana passada, Zaghari-Ratcliffe foi condenada a mais um ano de prisão, sob a acusação de espalhar "propaganda contra o sistema" por participação num protesto em frente à embaixada iraniana em Londres, em 2009.

"Um grave erro" do ministro

O líder supremo do Irão, Ali Khamenei, considerou "um grave erro" as declarações do ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Mohammad Javad Zarif, nas quais critica a influência do exército na diplomacia do país.

Zarif pediu este domingo desculpas pelos comentários, gravados e divulgados publicamente na semana passada, criando discórdia no país a menos de dois meses das eleições presidenciais.

As gravações do ministro incluíram comentários sobre o poderoso general iraniano Qassem Soleimani, que foi morto por um ataque de drone nos Estados Unidos em 2020, segundo a agência Associated Press.

"A política do país comporta as vertentes económica, militar, social, científica e cultural do país, além das relações externas e a diplomacia", sublinhou o aiatola Ali Khamenei num discurso televisivo, acrescentando que "se uma nega ou contradiz a outra não faz qualquer sentido. É um erro grave que qualquer responsável da República Islâmica [do Irão] não deve cometer".

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