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Twitter suspende congressista republicana adepta do QAnon

Twitter suspende congressista republicana adepta do QAnon

Marjorie Taylor Greene defende ampliação dos direitos dos portadores de armas em zonas de escolas e difundia teorias não comprovadas de fraude eleitoral nas presidenciais de novembro.

A rede social Twitter suspendeu, temporariamente, durante 12 horas a conta da congressista Marjorie Taylor Green, eleita pelo Estado da Geórgia e já empossada, por insistir em declarar que as eleições presidenciais foram fraudulentas e que houve roubo de votos na derrota de Donald Trump.

Este domingo, 17 de janeiro, Marjorie Taylor Green publicou um vídeo com uma entrevista sua a uma televisão local que continha várias mentiras e alegações infundadas. Green acusava funcionários eleitorais da Geórgia de terem manipulado boletins de voto por correio e máquinas de votação direta, repisando questões, já rejeitadas pelos tribunais, de fraude generalizada no seu Estado, e no resto do país, durante a eleição presidencial que ditou a vitória, já certificada, do democrata Joe Biden - 306 votos no Colégio Eleitoral contra 232 do republicano Trump. Biden será empossado 46.º presidente dos EUA esta quarta-feira.

Popular entre adeptos do QAnon

Marjorie Taylor Green é muito popular entre os americanos conservadores mais à direita e costumava publicar nas redes sociais vídeos e comentários polémicos de defesa das armas, contra o aborto e a favor das ideias racistas e anti-semitas do QAnon, delirante movimento de conspiração, cujos seguidores acreditam que uma seita de democratas, milionários e celebridades gere uma círculo mundial de tráfico de crianças e pedofilia. O FBI, unidade de polícia do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, já classificou o movimento QAnon como uma potencial ameaça de terrorismo doméstico.

O Twitter, que até agora também já suspendeu mais de 70 mil contas associadas ao QAnon, primeiro advertiu Marjorie Taylor Green de que as suas alegações de fraude eleitoral são "questionáveis" e que representam "um risco de violência". A congressista queixou-se, através de comunicado, que a sua conta na rede social fora suspensa "de forma abusiva" e "sem explicações".

Na semana passada, durante o segundo processo de impeachment a Donald Trump na Câmara dos Representantes - o presidente ainda em exercício é o primeiro dos EUA a sofrer duas vezes um processo legal de destituição, no caso por "incitamento à insurreição", no seguimento da invasão do Capitólio pelos seus seguidores, em que cinco pessoas foram mortas - Green usou uma máscara preta que dizia a letras brancas "censurada".

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Nos seus primeiros dias de trabalho, a congressista, que já se fez fotografar várias vezes com armas, nomeadamente o rifle semi-automático AR-15, muito apreciado entre as milícias de extrema-direita, já está a cumprir as promessas feitas durante a sua campanha para "ampliar os direitos dos legítimos proprietários norte-americanos de armas". Green é co-patrocinadora de propostas de lei sobre o Ato de Reciprocidade de Transporte Escondido de Arma, conhecido como H.R. 38, do republicano Richard Hudson, e do Ato de Proteção à Audição, dos republicanos Jeff Duncan e John Carter, a H.R. 155.

As leis propõem que todos os estados devem reconhecer as autorizações de porte oculto de arma e garantir o direito dos proprietários a viajar livremente na América com as suas armas. A parte mais polémica do projeto de lei propõe eliminar a proibição federal de porte de arma de fogo em zonas escolares "livres de armas".

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