Resumo do 40.º dia

Ucrânia quer mais apoio do Ocidente após massacre de Bucha

Ucrânia quer mais apoio do Ocidente após massacre de Bucha

Bucha continua a ser o epicentro da guerra na Ucrânia. Zelensky visitou a cidade massacrada e deixou uma certeza: os crimes cometidos serão "reconhecidos como um genocídio". A Ucrânia acredita numa mudança de rumo do conflito e quer mais apoio do Ocidente. A comunidade internacional falou a uma só uma voz e prometeu punir os autores. A Rússia nega "categoricamente" as acusações.

- O Presidente ucraniano afirmou esta segunda-feira, em visita a Bucha, que os "crimes de guerra", alegadamente cometidos por forças militares russas, serão "reconhecidos como um genocídio". Falando à imprensa numa das ruas onde foram encontrados dezenas de cadáveres de civis, Zelensky acusou o exército russo de ter cometido "um massacre" contra a população civil e admitiu ser difícil negociar com a Rússia dada à escalada de violência.

- Os assassinatos em Bucha devem servir como uma "virada de jogo" em relação ao apoio que o Ocidente está disposto a fornecer à Ucrânia, disse o ministro das Relações Exteriores do país. "O massacre de Bucha deve remover qualquer tipo de hesitação e relutância no Ocidente em fornecer à Ucrânia todas as armas necessárias para defender o nosso país e libertá-lo dos ocupantes russos", afirmou, em entrevista à BBC, Dmytro Kuleba. O resultado da guerra será decidido não apenas no campo de batalha, mas nos "escritórios na Europa e na América do Norte", onde serão tomadas as decisões sobre o nível de apoio adicional.

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- O governo ucraniano acredita que os "horrores" descobertos em Bucha "são apenas a ponta do iceberg". Hoje, a procuradora-geral da Ucrânia, Iryna Venediktova, disse que a cidade de Borodyanka, a cerca de 23 quilómetros a oeste de Bucha, será a mais atingida pela invasão russa na região de Kiev e que o número de vítimas será maior do que em qualquer outro lugar. "Posso dizer sem exagero, com grande tristeza, que a situação em Mariupol é muito pior em comparação com o que vimos em Bucha e outras cidades, vilas e aldeias próximas a Kiev", disse Dmytro Kuleba, numa conferência de imprensa em Varsóvia, durante a qual acrescentou que os "horrores de Bucha, Mariupol e outros lugares" exigem "sérias sanções do G7 e da UE.

- Putin deve ser julgado por crimes de guerra devido a mortes em Bucha, diz Joe Biden. Além deste pedido, o presidente norte-americano afirmou que vai reforçar as sanções contra a Rússia. Von der Leyen anunciou uma investigação da União Europeia, salientando que os "perpetradores de crimes hediondos não podem ficar impunes". Vários outros líderes políticos, como Macron e Pedro Sánchez, posicionaram-se também contra as atrocidades cometidas na cidade da região de Kiev.

- A Rússia negou "categoricamente" as acusações de "massacre" e "genocídio" pelos assassinatos de civis em Bucha e anunciou uma "avaliação judicial da provocação" ucraniana. Em resposta aos comentários desta segunda-feira do presidente norte-americano Joe Biden, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou que a recusa do Ocidente em conversar com a Rússia não levará a nada de bom, acrescentando que a Rússia está aberta a uma "conversa honesta" com os países ocidentais.

- Os serviços de informações militares ucranianos divulgaram na Internet os dados pessoais de 1600 soldados russos - incluindo nome e sobrenome, data de nascimento e patente militar - integrados nas tropas que atuaram em Bucha, perto de Kiev. A lista corresponde aos soldados da 64.ª Brigada Motorizada Independente do Exército Russo, que terá estado implicada no alegado massacre de civis naquela cidade.

- A Rússia acusou o Reino Unido, que detém a presidência rotativa do Conselho de Segurança da ONU, de tentar silenciar Moscovo ao rejeitar o pedido para uma reunião sobre o alegado massacre de civis na cidade ucraniana de Bucha. Os Estados Unidos anunciaram que vão procurar a "suspensão" da Rússia do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, depois da delegação russa ter solicitado no domingo uma reunião específica do Conselho de Segurança.

- Dois terços das tropas russas que ocupavam a região de Kiev desde início da invasão da Ucrânia retiraram-se para a Bielorrússia, indicou um alto responsável do Pentágono, admitindo uma reorganização militar antes de novo assalto russo. "Continuamos a vê-los reorganizarem-se na Bielorrússia. Continuamos a pensar que vão reequipar-se, reaprovisionar-se e talvez mesmo receber reforços, antes de serem reenviados para a Ucrânia, para combater noutro local".

- A Rússia anunciou a destruição de 14 alvos militares ucranianos na noite de domingo, incluindo dois postos de comando, dois lançadores de mísseis, dois arsenais de artilharia, três depósitos de combustível e seis fortificações.

- O dia começou com o anúncio da reabertura de vários corredores humanitários em Mariupol e Lugansk, para retirar cidadãos de áreas cercadas e bombardeadas pelo exército russo. Mas Iryna Vereshchuk disse ao final da tarde que os autocarros não conseguiram chegar à cidade sitiada do sul da Ucrânia. Uma equipa do Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) foi detida pela polícia na cidade ucraniana de Manhush, 20 quilómetros a oeste da cidade sitiada de Mariupol.

- Guerra já levou mais de 4,2 milhões de ucranianos a fugir do país, mais precisamente 4 215 047, de acordo com o mais recente balanço do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR), hoje divulgado.

- A invasão russa da Ucrânia já fez pelo menos 3527 vítimas civis, incluindo 1430 mortos e 2097 feridos, a maioria das quais atingidas por armamento explosivo de grande impacto, indicou hoje a ONU.

- Portugal concede quase 27 mil pedidos de proteção temporária até hoje, a pessoas que fugiram da guerra da Ucrânia, segundo a última atualização feita pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

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