Negociações

Ucrânia propôs neutralidade em troca de acordo internacional, Moscovo recusou

Ucrânia propôs neutralidade em troca de acordo internacional, Moscovo recusou

A Ucrânia propôs adotar uma posição de neutralidade permanente em troca de garantias de segurança que prevejam, além de um cessar-fogo, um tratado internacional assinado por vários países. Moscovo recusou a proposta.

O negociador e conselheiro presidencial ucraniano destacou, esta terça-feira, algumas das questões que foram discutidas de forma "intensiva" na nova ronda de negociações, já terminada, entre a Rússia e a Ucrânia, em Istambul. "A chave é o acordo sobre garantias de segurança internacional para a Ucrânia. Só com este acordo podemos acabar com a guerra como a Ucrânia precisa", asseverou Mykhailo Podolyak, remetendo para uma posição de longa data do governo ucraniano segundo a qual Kiev adotaria uma posição de neutralidade permanente - não se juntaria a alianças militares nem hospedaria bases militares - no caso de ter garantias de segurança.

A delegação ucraniana quer um tratado internacional assinado por um conjunto de garantes de segurança e apontou vários países - Reino Unido, China, Estados Unidos, Turquia, França, Canadá, Itália, Polónia e Israel - como preferidos para atuarem como tal. Alguns deles "já deram autorização", mas a proposta não foi aceite por Moscovo. "Passámo-la para o lado russo. Vamos esperar pela resposta", disse um membro da delegação ucraniana, David Arahamiya, citado pela BBC.

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A proposta, que também previa um período de consulta de 15 anos sobre a posição da Crimeia, só entraria em vigor apenas no caso de um cessar-fogo que permitisse a resolução de todos os problemas humanitários.

"Se conseguirmos consolidar estas disposições-chave, e para nós isso é o mais fundamental, então a Ucrânia estará em condições de realmente fixar a sua posição atual como neutra e não-nuclear. Não hospedaremos bases militares estrangeiras no nosso território e não faremos alianças político-militares. Exercícios militares no nosso território serão realizados com o consentimento dos países garantidores", acrescentou o também negociador ucraniano Oleksander Chaly.

Para os negociadores ucranianos, há material suficiente nas atuais propostas ucranianas para justificar uma reunião entre Volodymyr Zelensky e Vladimir Putin, apontaram os negociadores, remetendo para a Rússia uma resposta.

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