Polémica

UE acusada de cortar fundos para pobres para poupar para o pós-Brexit

UE acusada de cortar fundos para pobres para poupar para o pós-Brexit

A Comissão Europeia está a ser acusada de tentar reduzir o financiamento da União Europeia (UE) para as pessoas mais pobres do continente em 50% para garantir uma poupança de custos para o período pós-Brexit e fundos extra para projetos de defesa.

Citado pelo jornal britânico "The Guardian", o presidente da Federação Europeia de Bancos de Alimentos, Jacques Vandenschrik, disse que os planos de gastos propostos pelo executivo da UE para os próximos sete anos representam um risco não apenas para os mais vulneráveis, mas também para a estabilidade da sociedade em geral.

As instituições da UE estão atualmente a elaborar os detalhes do orçamento de longo prazo, conhecido como Quadro Financeiro Plurianual. A saída do Reino Unido vai deixar um buraco para tapar e os altos funcionários da UE afirmaram que as negociações sobre os 1,135 mil milhões de euros propostos pela comissão em compromissos de gastos foram as mais difíceis até ao momento.

O orçamento atual que termina em 2020 continha um fundo de 3,8 mil milhões de euros para apoiar as pessoas mais carenciadas e ajudar os Estados membros da UE a fornecer a essas pessoas alimentos e coisas básicas como roupas, sapatos e produtos de higiene.

De acordo com o orçamento proposto para 2021-27, esse fundo não existe, mas seria solicitado aos Estados membros que dessem um mínimo de dois mil milhões de euros para alimentação e assistência material básica. A Comissão espera que os Estados reservem o dobro desse valor, mas sem qualquer obrigação.

Jacques Vandenschrik, cuja organização ajuda os bancos de alimentos de toda a Europa a distribuir produtos excedentes para onde é mais necessário, afirmou que a proposta da Comissão era uma "falsa economia".

"Acho que devemos fazer melhor pelos mais pobres. Não podemos aceitar que se entregue metade ou 60% da comida que eles recebem agora. A explicação é que o orçamento geral da Europa precisa de ser apertado. O Brexit é um dos argumentos. O outro é a necessidade de fortalecer a defesa da Europa. Mas isso terá um impacto na saúde e na coesão social. É uma economia falsa para poupar nos pobres. É muito melhor aumentar o poder de compra dando-lhes comida para que o pouco dinheiro que não gastam em alimentos possa ser gasto na economia".

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