Guerra

UE alerta para risco de "confronto militar internacional" na Síria

UE alerta para risco de "confronto militar internacional" na Síria

O chefe da diplomacia europeia alertou para o risco de "confronto militar internacional" na província rebelde síria de Idlib. Dezasseis combatentes da Síria morreram em bombardeamentos de represália do exército turco, após a morte de 33 soldados turcos em ataques atribuídos pela Turquia ao poder em Damasco.

"A contínua escalada [de violência] tem de ser parada imediatamente. Existe o risco de se cair num grande e aberto confronto militar internacional", adverte o Alto Representante da União Europeia (UE) para a Política Externa, Josep Borrell numa publicação feita na rede social Twitter.

Na mensagem, o chefe da diplomacia europeia alerta que o conflito em Idlib "está a causar um sofrimento humanitário insuportável e a colocar em perigo a vida dos civis".

"A UE apela a todos os lados para uma rápida contenção e lamenta todas as perdas de vidas humanas", acrescenta Josep Borrell.

Pelo menos 33 soldados turcos morreram em combates com unidades do regime do presidente sírio, Bashar al-Assad, na quinta-feira, na província de Idlib. Em resposta, o exército turco iniciou ataques aéreos e terrestres em posições sírias e 16 combatentes do regime sírio morreram.

Esta sexta-feira, o Conselho do Atlântico Norte, o mais alto órgão de tomada de decisão da NATO, reuniu de urgência a pedido da Turquia, devido à situação na Síria.

A Turquia invocou o Artigo 4.º do Tratado de Washington, segundo o qual qualquer aliado da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, na sigla em inglês) pode solicitar consultas quando acreditar que a sua integridade territorial, independência política ou segurança estão ameaçadas.

Após a reunião, membros da NATO expressaram "total solidariedade" com a Turquia e exortaram o regime sírio e a Rússia a pararem os "ataques indiscriminados" em Idlib.

"Os Aliados ofereceram as mais profundas condolências pela morte de soldados turcos nos bombardeamentos de ontem (quinta-feira) à noite em Idlib e expressaram a sua total solidariedade com a Turquia. Os Aliados condenam os contínuos ataques aéreos indiscriminados levados a cabo pelo regime sírio e pela Rússia na província de Idlib. Exorto-os a parar a sua ofensiva, a respeitar a lei internacional e a apoiar os esforços da ONU para uma solução pacífica", declarou o secretário-geral da Aliança Atlântica.

Jens Stoltenberg, comentou que "a reunião de hoje é um sinal claro de solidariedade com a Turquia" e sublinhou que "a Turquia é um aliado válido da NATO e aquele mais afetado pelo terrível conflito na Síria, o que sofreu mais ataques terroristas, e que abriga milhões de refugiados".

Além de uma grave crise humanitária, o avanço das forças sírias em Idlib, apoiadas pela Rússia, provocou uma crise com a Turquia, que apoia alguns rebeldes, e atritos entre Ancara e Moscovo.

Estes dois países acordaram em 2018, em Sochi (Rússia), um cessar-fogo e a instalação de postos de observação turcos na região de Idlib, mas o acordo deixou de ser respeitado e as duas partes rejeitam responsabilidade pelo seu fim.