Venezuela

UE vai apelar a eleições imediatas sem o que reconhecerá Guaidó

UE vai apelar a eleições imediatas sem o que reconhecerá Guaidó

A União Europeia vai apelar à realização de "rápidas eleições" na Venezuela numa nova declaração que terá em conta a posição de vários países que admitem reconhecer Juan Guaidó como presidente interino, indicaram fontes diplomáticas.

"Queremos que as eleições sejam convocadas imediatamente. Falamos de dias, não de semanas", revelou uma fonte diplomática à agência France-Presse após a conclusão da reunião dos embaixadores dos 28 em Bruxelas.

Os representantes dos Estados-membros, reunidos no Comité Político e de Segurança do Conselho da UE, encarregaram os serviços diplomáticos da UE de preparar um esboço de uma nova declaração que vá além da divulgada na noite de quarta-feira pela chefe da diplomacia europeia.

Naquela declaração, Federica Mogherini, em nomes da totalidade dos países da UE, limitou-se a "apoiar plenamente" a Assembleia Nacional da Venezuela e a apelar a eleições livres, sem reconhecer Guaidó como presidente interino.

No novo texto, de acordo com fontes diplomáticas citadas pela agência EFE, os 28 pretendem fazer um ultimato a Nicolás Maduro para que convoque eleições de imediato.

As mesmas fontes afirmaram que, caso não haja novas eleições, "muitos" dos Estados-Membros estão inclinados a legitimar Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela.

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, disse hoje que ou Nicolas Maduro aceita realizar "eleições livres no mais breve prazo possível", ou a União Europeia (UE) reconhecerá que só Juan Guaidó o pode fazer.

O Governo espanhol propôs hoje à UE a fixação de um prazo de tempo concreto para Nicolás Maduro convocar eleições livres e, se isso não acontecer, que o líder da Assembleia Nacional seja reconhecido como Chefe de Estado interino da Venezuela.

O ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, Josep Borrell, fez este anúncio na conferência de imprensa a seguir ao Conselho de Ministros, explicando que a proposta iria ser transmitida aos representantes dos países da UE durante a reunião de hoje em Bruxelas.

Também o Governo alemão exigiu hoje a realização imediata de eleições "livres e justas" na Venezuela e indicou que, se isso não acontecer, está disposto a reconhecer Guaidó como chefe de Estado interino.

Ao lado de Espanha e Alemanha estão também a França ou o Reino Unido, enquanto a Grécia é um dos países mais reticentes a formular um ultimato a Maduro, segundo a France-Oresse

Juan Guaidó, presidente do Parlamento venezuelano, autoproclamou-se na quarta-feira Presidente interino da Venezuela, perante milhares de pessoas concentradas em Caracas.

Os Estados Unidos, a Organização dos Estados Americanos (OEA), a maioria dos países da América Latina, à exceção de México, Bolívia, Nicarágua e Cuba - que se mantêm ao lado de Maduro, que consideram ser o Presidente democraticamente eleito da Venezuela -, já reconheceram Juan Guaidó como Presidente interino da Venezuela.

Rússia, China, Turquia e Irão manifestaram também o seu apoio a Nicolás Maduro.

Da parte do Governo português, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, expressou na quarta-feira pleno respeito pela "vontade inequívoca" mostrada pelo povo da Venezuela, disse esperar que Nicolás Maduro "compreenda que o seu tempo acabou" e apelou para a realização de "eleições livres".

Os Estados Unidos pediram a realização no sábado de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, para abordar a situação na Venezuela.

A Venezuela, país onde residem cerca de 300 mil portugueses ou lusodescendentes, enfrenta uma grave crise política e económica que levou 2,3 milhões de pessoas a fugir do país desde 2015, segundo dados da ONU.

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