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"Um acto cruel, mas necessário", diz autor do massacre

"Um acto cruel, mas necessário", diz autor do massacre

O suspeito dos atentados na Noruega, Anders Behring Breivik, reconheceu os actos que lhe são imputados, declarou, este sábado, o advogado, em declarações à televisão norueguesa NRK. Um gesto "cruel" mas necessário, admitiu. "Não merecíamos isto", desabafou uma sobrevivente.

"Ele reconhece os factos", declarou o advogado, Geir Lippestad, aos jornalistas. "Explica que é cruel, mas que devia levar as suas acções até ao fim", referiu, acrescentando que "provavelmente foram planeadas durante um longo período".

Anders Behring Breivik é suspeito de ter matado pelo menos 98 pessoas, segundo o último balanço citado pela agência Reuters, em dois atentados na sexta-feira, em Oslo e numa ilha perto da capital. A polícia duvida que Breivik tenha agido sozinho. "Com base nos relatos das testemunhas, acreditamos que podem ser mais os suspeitos", disse o Chefe da Polícia de Oslo, Sveinung Sponheim.

Este domingo, o suspeito confessou em interrogatório à polícia que agiu sozinho. "Durante os interrogatórios, disse que era único", declarou o responsável policial Sveinung Sponheim em conferência de imprensa, adiantando que as autoridades vão continuar a investigar tendo em conta que o ataque na ilha pode ter sido realizado com um segundo atirador.

Um vídeo publicado no YouTube, contendo violentas alusões contra o islão, o marxismo e o multiculturalismo, foi atribuído pelos órgãos de comunicação social ao presumível autor dos ataques.

No final do vídeo de 12 minutos, que o YouTube retirou, o suspeito aparece em três fotografias diferentes. O jornal norueguês Dagbladet refere que o vídeo seria um resumo de um "manifesto" de 1500 páginas sob o pseudónimo de Andrew Berwick que Anders Behring Breiving reconheceu ter publicado na Internet em 2009, segundo fontes policiais.

Na casa do suspeito, numa quinta nos arredores da capital da Noruega, as autoridades encontraram um quilo de explosivos, dois uniformes de polícia e literatura anti-islâmica.

Como agricultor, Breivik tinha acesso a fertilizantes, que podem ser usados no fabrico de bombas. Em Maio, comprou seis toneladas de produto, uma quantidade "normal, para um produtor standard".

Parte do fertilizante pode ter sido usado no fabrico da bomba. "Muitos pensavam que eram os piores momentos do ano", escreveu num blogue a norueguesa Khamshajiny Gunaratnam, ao recordar o momento em que soube que tinha havido um atentado em Oslo, em que morreram sete pessoas. Pouco depois, teve de lutar pela vida quando Breivik desatou aos tiros no campo de férias onde se encontrava, na ilha de Utoya, com mais 700 jovens, num campo de férias do Partido Trabalhista.

"Não merecíamos isto, somos apenas jovens que se interessam pela política, que querem fazer um mundo melhor", escreveu Khamshajiny, que escapou aos tiros a nadar pelas águas geladas até que um barco a recolheu, juntamente com outros sobreviventes. "Antes morrer afogada do que com um tiro", escreveu.

Os ataques "fazem parte de uma vaga de xenofobia trazida para o parlamento por partidos como o Partido do Progresso [a que pertenceu Breivik]", disse Sven Lindqvist, um dos autores escandinavos de referência entrevistado pela Lusa.

Esses partidos "influenciaram programas políticos algo racistas e anti-imigração", acrescentou Sven Lindqvist, autor de uma obra extensa sobre violência e ideologia na História europeia.

Mas, as palavras do primeiro-ministro norueguês, Jens Stoltenberg, resumem o sentimento norueguês. "Uma tragédia nacional", que se combate com "mais democracia", não com mais segurança ou vingança.