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La Palma

Um vulcão a destilar raiva paralisa aeroporto mas autoridades pedem calma

Um vulcão a destilar raiva paralisa aeroporto mas autoridades pedem calma

O cone principal do vulcão Cumbre Vieja não suportou o próprio peso e colapsou. O comité de crise diz tratar-se de um "fenómeno normal" e pede tranquilidade a quem observa, de coração nas mãos, uma das mais impressionantes manifestações da natureza.

Violentas explosões, ar praticamente irrespirável e um vulcão robusto, atiçado, que não dá descanso à "Isla Bonita" de La Palma. O aumento da atividade sísmica e o surgimento de duas novas bocas libertadoras de lava num dos flancos do Cumbre Vieja obrigaram mais quatro centenas de pessoas a deixar as suas casas em três localidades: Tajuya, Tacande de Abajo e na parte de Tacande de Arriba que ainda estava livre de perigo.

E as suspeitas confirmaram-se. Os drones do Instituto Geológico e Mineiro de Espanha (IGME) tiveram, este sábado, acesso a imagens que "mostram perfeitamente" que o cone do vulcão, em erupção desde o passado domingo, colapsou, dando lugar a um grande rasgo de escoamento até ao mar. "Rompeu-se na parte sudoeste", informou o geólogo Carlos Lorenzo, citado pelo jornal "La Voz de Galicia", durante a reunião do grupo gestor do Plano de Emergência Vulcânica das Ilhas Canárias.

A intensificação das explosões, numa altura em que os rios de lava destruíram pelo menos 400 casas, engolindo 250 hectares de terreno e deslocando mais de seis mil pessoas, levou o Governo de Madrid a declarar a ilha como "zona de catástrofe". Além disso, determinou a suspensão de voos com origem e destino em La Palma, segundo confirmou a AENA (Aeroportos Espanhóis e Navegação Aérea).

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Mil pessoas num dispositivo destinado a salvar vidas

O trabalho no terreno "não é fácil", mas está a ser decisivo para salvar as populações. O dispositivo de emergência montado na ilha engloba cerca de mil pessoas, das mais variadas áreas, e, garante o ministro da Segurança do Governo das Canárias, Julio Pérez, "está a funcionar corretamente", embora o impacto da erupção seja "enorme".

Apesar do medo e da expectativa, o diretor técnico do Plano de Emergência, Miguel Ángel Morcuende, pede tranquilidade, recordando que se trata de uma erupção típica no arquipélago.

Face aos rugidos impressionantes libertados pelo Cumbre Vieja e aos receios, que inundaram as redes sociais, de uma possível chuva ácida, Morcuende é perentório. "Não há qualquer fundamento científico para dizer que existe essa possibilidade", assegurou. "A monitorização é permanente e é muito importante dar esta visão de realidade e tranquilidade aos cidadãos", concluiu.

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