Médio Oriente

Uma bofetada e ficou tudo bem na crise EUA-Irão

Uma bofetada e ficou tudo bem na crise EUA-Irão

Ataque iraniano sem vítimas parece ter acalmado a tensão crescente desde o assassínio do general Soleimani. Trump promete mais sanções mas quer conversar sobre o nuclear. Mísseis atingiram "zona verde" em Bagdade.

Donald Trump não fez uma daquelas declarações à nação impregnadas de negatividade. Chamou a Imprensa e, claro, tuitou. "So far so good". "Até agora tudo bem". Ali Khamenei explicou que os Guardas da Revolução deram "uma bofetada na cara" da América. Mohamad Javad Zarif falou em "medidas proporcionais de autodefesa", porque o Irão só quer defender-se, não quer entrar em guerra.

Nem o presidente dos EUA, nem o líder supremo do Irão, nem o seu ministro dos Negócios Estrangeiros aprofundaram a tensão após a "operação Soleimani" para vingar a morte do general iraniano com o mesmo nome, uma investida contra bases norte-americanas no Iraque. Alívio? A ONU quer crer que sim e o porta-voz do secretário-geral até fez saber que António Guterres se congratulou com o tom do norte-americano. Mas Trump não se livra, ainda assim, de ter o Congresso de maioria republicana a tentar limitar-lhe a ação militar.

Para trás, ficaram 15 ou 22 mísseis apontados à base de Ain al-Assad e as instalações perto de Erbil, conforme a fonte é americana ou iraquiana. O Irão não avançou números, além de uns "80 mortos" entre os militares dos EUA, logo desmentidos por Bagdade e Washington.

Para trás ficava ainda a condenação unânime da comunidade internacional, incluindo o Iraque onde o Irão apoia forças xiitas, à retaliação iraniana após a morte do líder da força de elite dos Guardas da Revolução, a al-Quds, e estratega da política externa do Irão para a região - que equivale a afastar a ameaça sunita da Arábia Saudita o mais longe possível e a postar-se na fronteira de Israel. Uma condenação mais firme do que a expressa após o ataque norte-americano que matou Qassem Soleimani.

"O Irão parece estar a recuar", afirmou Trump, e "os EUA estão prontos para a paz com todos quantos a quiserem". E até dispostos a negociar um novo acordo nuclear para que o Irão possa "progredir e prosperar". O atual, de que se retirou em 2018, não serve e os restantes signatários (França, Alemanha, Reino Unido, Rússia e China) deveriam também abandoná-lo, disse.

Para trás, também, ficava a promessa de resposta "talvez desproporcionada" a eventuais ataques a alvos norte-americanos - como ontem. Foi trocada pelo anúncio de novas sanções ao Irão, uma incongruência num discurso de acalmia, quando a aplicação de sanções são a base da escalada de tensão com a República Islâmica.

Horas antes, o Irão dera-se por satisfeito com a "bofetada" aos EUA, apesar de ter prometido 13 cenários de retaliação infernais e avisado que as "forças do eixo da resistência" nos países vizinhos poderiam reagir - o que parece ter acontecido quarta-feira, com mísseis Katyusha, associados às milícias xiitas, a atingir as proximidades da Embaixada norte-americana em Bagdade, sem vítimas. Satisfeito (o ataque evitou deliberadamente fazer vítimas, asseguram fontes ocidentais ouvidas pelo jornal israelita "Haaretz"), mas ainda assim pediu a retirada das tropas de Washington da região.

Trump respondeu, de certa forma. Disse que a NATO devia estar mais presente no Médio Oriente e que a luta contra o "Estado Islâmico" podia unir iranianos e americanos. Porque o Irão, acredita, "pode ser um grande país"...

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