Casa Branca

Uma mulher contra Trump. Vale uma aposta?

Uma mulher contra Trump. Vale uma aposta?

A senadora Elizabeth Warren não lidera, nem nas sondagens, nem no dinheiro angariado para pagar a campanha. Mas é a clara favorita das casas de apostas para ganhar a corrida à nomeação pelo democratas.

Há várias formas de medir o favoritismo dos diferentes candidatos a uma eleição. Desde logo, o termómetro clássico das sondagens, que tenta antecipar quantos votarão em quem. Há, por outro lado, quem valorize o financiamento de cada campanha, um argumento poderoso em países em que ter mais dinheiro faz a diferença, como é notoriamente o caso dos EUA. E há, depois, a avaliação das casas de apostas.

De acordo com a informação coligida pelo sítio "oddschecker" (que poderíamos traduzir para verificador de probabilidades), os peritos das casas de apostas não têm grandes dúvidas: o candidato democrata à Casa Branca voltará a ser uma mulher. A progressista Elisabeth Warren sucederia a Hillary Clinton como clara favorita para vencer a corrida no partido democrata e disputar o lugar do republicano Donald Trump.

Mas isso também significa que será a que menos dinheiro dará a ganhar, em caso de vitória: por cada euro na vitória da atual senadora do Estado do Massachusetts, o apostador lucra, conforme a casa que escolha, entre 83 cêntimos e 1,50 euros. Bastante menos do que o (ainda) favorito das sondagens a nível nacional, o centrista Joe Biden. Por cada euro apostado, a vitória do antigo vice-presidente de Obama na corrida democrata garante um lucro de 2,75 a 4 euros. Outro dos grandes favoritos, o socialista Bernie Sanders, fica mais distante de uma vitória e garantiria, portanto, um lucro maior ao apostador: entre sete e nove euros.

Caso se venha a confirmar a vitória de Elizabeth Warren entre os democratas, não são favas contadas a nível nacional. De acordo com a lei das probabilidades das casas de apostas, o grande favorito é Donald Trump. Quando a "odd" se refere à eleição para presidente dos Estados Unidos da América, o atual inquilino é a aposta mais segura (e por isso menos lucrativa): por cada euro investido, o retorno é de 1,20 a 1,35 euros. Warren fica entre os 2,25 e os 4 euros de lucro na corrida ao mandato de quatro anos na Casa Branca (2020-2024).

Admitindo que há um racional nas probabilidades ("odds") das casas de apostas, os alicerces talvez não sejam os mesmos da ciência política. Porque Elizabeth Warren é a favorita entre quem faz dinheiro com probabilidades, mas não lidera nenhuma das listas "clássicas" em que se alinham os diferentes candidatos.

Veja-se o exemplo das sondagens a nível nacional: desde que anunciou a sua candidatura, o favoritismo tem sido sempre de Joe Biden, que nesta altura comanda com uma média de 27%. A senadora do Massachusetts está em segundo, com 25%, e dez pontos mais atrás aparece Bernie Sanders (que sofreu um ataque cardíaco e regressou entretanto à campanha). Os restantes (ao todo há 19 concorrentes) têm cinco ou menos pontos percentuais.

Outro exemplo tem a ver com a capacidade de angariar dinheiro para a campanha: aqui o campeão incontestável é Bernie Sanders (o socialista que há quatro anos batalhou com Hillary Clinton até quase ao último sopro de campanha), com mais de 55 milhões de euros em contribuições individuais. O segundo é Pete Buttigieg, o presidente da Câmara de South Bend, no Estado do Indiana, com mais de 45 milhões de euros amealhados no cofre. Só depois surgem a favorita das casas de apostas Elizabeth Warren (44 milhões) e o favorito das sondagens Joe Biden (33 milhões).

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